“Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.”
A frase de Antoine de Saint-Exupéry me remete a pensar em como somos despreparados para ter um envolvimento emocional saudável. Pense. Duas pessoas se conhecem. Existe a química. Rola um interesse. Elas se envolvem e se entregam. Fazem juras de amor. Dizem que querem passar o resto de suas vidas dividindo tudo que lhes pertence.
Mas daí vem à famosa música de Cássia Eller que diz “sem saber que o pra sempre, sempre acaba”, e tudo desmorona. Sentimos saudade, perdemos peso, choramos noites a fio, desabafamos com amigos. Tudo isso porque um dia nos entregamos completamente a outro ser humano e acreditamos que o teríamos para sempre em nossas vidas. E daí, de repente, sem mais nem menos, nem nosso amigo a pessoa é. Ela que sabe nossos maiores segredos, nossas maiores ambições, nossas maiores angustias, ela na qual fizemos todos os planos possíveis e imagináveis, não é mais nada nosso. É o ‘ex’. Aquele que um dia nos considerou a cara metade. Aquele que um dia foi nossa cara metade. E é ai que eu começo a discorrer sobre a frase inicial do texto, é nessa hora que o ser humano vira uma arma. Que o amor vira um perigo. Que o sentimento vira uma armadilha. Que o laço criado, nos enforca.
Criar laços. A raposa diz ao príncipe que isso é uma coisa esquecida pelos homens. Que encontramos hoje tudo pronto, fabricado e preparado para ser comprado em lojas. Tudo muito superficial, todos colocando suas imagens nas redes sociais, se mostrando exatamente do jeito que eles querem ser vistos, e não como realmente são. A era do “photoshop”. Ao sairmos dessa regra, ao quebrarmos o padrão, ao mostrarmos quem realmente somos, estamos nos deparando com um contrato: a possibilidade de criar laços verdadeiros e, por conseqüência, nos tornar responsáveis por outras pessoas. Será isso o motivo de tanta superficialidade?
Hoje em dia é fácil dizer “adeus”. Hoje em dia é difícil encontrar quem realmente se envolve. Hoje o “eu te amo” é tão falado quanto o “bom dia”. Por que é que a carência do ser humano nessa era digital se tornou tão absurda a ponto de até laços terem tornado-se fabricáveis? E, uma vez que o laço é artificial, a responsabilidade encima dele também é. As atitudes também são. E tudo o que acaba importando é a conquista em si, e não o que move ela.
Aqueles que um dia cativaram alguém tomem cuidado. Não sabemos até que ponto o laço criado para a pessoa na qual você se envolveu é real ou não. A maioria hoje opta pelo egocentrismo. Por se colocar na frente de todo resto, e é por isso que aqueles que criam laços reais são aqueles que mais sofrem. Mas como há esperança ainda nesse mundo, torço por todos que realmente merecem encontrarem alguém que valorize o sentimento verdadeiro, que vejam com o coração e saibam da responsabilidade que temos ao sentir que alguém se entregou. Dessa forma, nunca podemos nos esquecer que “Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos”.
E.C.P.
Tudo o que vivemos parece um mar de futilidade com pequenas nuvens de falsas esperanças.
ResponderExcluirNão sabemos sozinhos ficar, parece que precisamos sempre de alguem para nos fazer chorar.
Impressionante é que não queremos nunca nos enolver e acabamos envoltos por sentimentos que nao deveriam florescer, ja que só nos fazem sofrer.
O que acontece conosco?