segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Respeite o meu direito de não querer te ouvir ou ver


por Flávio Gikovate, Sábado, 14 de abril de 2012 às 15:33 ·
- O fato de alguém querer muito a nossa atenção não nos obriga a aceitar sua aproximação. Ao insistir em seu objetivo, mesmo que nos ame, ela estará sendo prepotente e egoísta.


Um senhor me acusou de desrespeitoso e mal-educado. Motivo? Não quis falar com ele ao telefone. Não o conheço, sabia que ele queria fazer críticas — "construtivas" — ao meu trabalho. Não me interessei em saber quais eram.

Uma colega me conta que sua mãe lhe diz: "Sua amiga de infância esteve aqui e está louca para revê-la. Quando posso marcar o encontro?'' Minha colega não tem interesse em saber como está essa pessoa, nem deseja reencontrá-la.

Uma filha atende o telefone e diz ao pai: "Fulano quer falar com você". O pai responde: "Diga que não estou". "Mas ele diz que quer muito falar com você." O pai: "Sim, mas eu não quero falar com ele!"

Afinal de contas, quem está com a razão? Aquele que se sente ofendido por não ser ouvido ou recebido? Ou quem se acha com o direito de só receber as pessoas que lhe interessam?

Quem faz questão de colocar sua opinião tem direito a isso ou é prepotente por achar que o outro tem que ouvi-lo, apenas porque ele está com vontade de falar? Ou é egoísta e desrespeitoso aquele que só fala e recebe as pessoas que lhe interessam ou quando está com vontade?

Acho fundamental tentarmos entender essas questões aparentemente banais, uma vez que elas são parte das complicadas relações no cotidiano de todos nós. Elas envolvem questões morais e dos direitos de cada um. Tratam do que é justo e do que é injusto.

Acredito que é direito legítimo de cada um falar ou não com qualquer outra pessoa. O fato de ela querer muito nossa atenção não nos obriga a aceitar sua aproximação. E isso independe das intenções de quem deseja o convívio.

Posso, se quiser, recusar a aproximação de uma pessoa, mesmo que ela venha me oferecer o melhor negócio do mundo. E o fato de uma pessoa me amar também não a autoriza a nada! Não pode, apenas por me amar, desejar que eu a queira por perto.

Ao forçar a aproximação com alguém que não esteja interessado nisso, a pessoa estará agindo de modo agressivo, autoritário e prepotente.

As belas intenções não alteram o caráter prepotente da ação. Na verdade, egoísta é quem quer ver sua vontade satisfeita, mesmo se isto for unilateral. Ele não está ligando a mínima para o outro.

O mesmo raciocínio vale para as pessoas amigas. Não tem o menor sentido eu ir à casa de um amigo para dizer-lhe o que penso de uma determinada atitude sua que não me diz respeito, mesmo que eu não tenha gostado ou aprovado.

Ele não me perguntou nada! Ainda que goste muito de mim, talvez não queira saber minha opinião. Talvez não deseje saber a opinião de ninguém! É direito dele.

Pode também acontecer o contrário: a pessoa desejar a minha opinião e eu me recusar a dar. Aí é o outro quem tem de respeitar o meu direito de omissão. Não cabe a frase do tipo: "Mas nós somos tão amigos e temos que dizer tudo um ao outro".

É assim que, com frequência, se perdem bons amigos. É preciso ter cautela com o outro, com o direito do outro. Não basta ter vontade de falar. É preciso que o outro esteja com vontade de ouvir.

Nós nos tornamos inconvenientes e agressivos quando falamos coisas que os outros não estão a fim de ouvir.

Raciocínio idêntico vale também para as relações íntimas — entre parentes, em gera,l e marido e mulher, em particular.

Nesses casos, o desrespeito costuma ser ainda maior. As pessoas dizem e fazem tudo o que lhes passa pela cabeça. É um perigo. Elas não param de se ofender e de se magoar. Acreditam que, só porque são parentes, têm o direito de falar tudo o que pensam, sem se preocupar como o outro irá receber aquelas palavras.

Toda relação humana de respeito implica a necessidade de se imaginar o que pode magoar gratuitamente o outro.

É necessário prestar atenção no outro, para evitar agressões, mesmo involuntárias.

Quando as pessoas falam e fazem o que querem, sem se preocupar com a repercussão sobre o outro, é porquenelas predomina o egoísmo ou o desejo de magoar.

domingo, 16 de dezembro de 2012

Calma Interior


Muitas pessoas que conheço evitam ler o jornal de manhã – encontrar injustiças e coisas
ruins do mundo é uma maneira inquietante de começar o dia. É difícil ler sobre a corrupção
dos políticos ou sobre o tráfico de drogas e manter paz na mente, e é mais difícil ainda
saber como responder a isso. O conflito é ainda mais imediato quando você testemunha
uma injustiça, ou é vítima de uma, sendo ter sua carteira roubada, ou qualquer tipo de
comportamento revoltante contra você. A resposta para esse problema é upeksha, o quarto
brahmavihara.

Esse estado de mente, ensinado no Yoga e no Budismo, permite-nos responder às ações
não-virtuosas dos outros e, também, a todas as flutuações da vida, de maneira que mexa,
mas não agite. Quando cultivamos equanimidade, somos movidos pela injustiça no
mundo e motivados a fazer coisas melhores, mas nossa serenidade profunda interna não é
perturbada. Algumas vezes traduzidos por comentaristas do Yoga Sutra como “indiferença”
à face de ações imorais, não-virtuosas ou prejudiciais, upeksha é melhor entendida como
“equanimidade”, um estado de abertura de mente equilibrada que permite uma resposta
equilibrada e clara a todas situações, em vez de uma resposta cheia de reatividade ou
emoção. Upeksha não é indiferença ao sofrimento de outros, nem um estado suave de
neutralidade. De fato, significa que nos importamos, e profundamente, em deixar as coisas
equilibradas!

Esse entendimento de upeksha como equanimidade enfatiza a importância de equilíbrio.
Um coração equilibrado não é um coração sem sentimentos. O coração equilibrado sente
prazer sem se apegar e se agarrar a ele, sente dor sem condenar ou odiar, e fica aberto
para experiências neutras com presença. A professora de meditação introspectiva Sharon
Salzberg fala de equanimidade como “uma quietude espaçosa da mente”, em que podemos
ficar conectados com outros e tudo que acontece a nossa volta, enquanto permanecemos
livre de hábitos condicionados de apego ao prazer e aversão ao desagradável.

Mente silenciosa

Uma maneira de experenciar equanimidade é experimentar com meditação consciente. Em
vez de fixar a atenção em um único objeto como a respiração ou um mantra, meditação
consciente envolve a atenção momento-a-momento de mudar os objetos de percepção.
Consciência é como um holofote, brilhando atenção em todo campo da experiência,
incluindo sensações, emoções e pensamentos quando eles aparecem e vão embora no
fluxo dinâmico, sempre em mutação, que caracteriza a experiência humana do corpo e
mente. Consciência permite que veja a natureza do processo manifestado sem ser pego
na reatividade, sem se identificar com suas sensações, emoções e pensamentos. Esse
discernimento muda sua relação com corpo-mente. As ondas continuam vindo, mas você
não é levada por elas. Ou, como Swami Satchidananda costumava dizer, “você não pode
parar as ondas, mas pode aprender a surfar!” Essa habilidade de permanecer equilibrado
entre condições sempre mutáveis é o equilíbrio da equanimidade.

Há uma história antiga que ilustra a sabedoria desse estado mental. Uma das posses mais
valiosas de um fazendeiro é o cavalo que possui. Um dia ele foge. Todas as pessoas
lamentam por ele. “Que azar! Você está na pobreza agora, sem ter como puxar o arado ou
mover seus bens!” O fazendeiro apenas responde, “Eu não sei se é uma desgraça ou não;
tudo que sei é que meu cavalo se foi.”

Alguns dias depois, o cavalo retorna, com mais seis cavalos, garanhões e éguas. As pessoas
dizem: “Você está rico! Agora tem sete cavalos” De novo, o fazendeiro diz, “Não sei se sou
sortudo ou não; tudo que posso dizer é que agora tenho sete cavalos em meu estábulo.”

Alguns dias depois, quando o filho do fazendeiro tenta domar um dos garanhões, ele cai do
cavalo e quebra a perna e o ombro. Todas as pessoas lamentam seu destino: “Que terrível!
Seu filho se machucou bastante, não vai conseguir ajudar com a colheita. Que desgraça!” O
fazendeiro responde, “Não sei se é desgraça ou não; o que sei é meu filho se machucou.”

Menos de uma semana depois, o exército passa na cidade, convocando todos os jovens para
lutar na guerra... todos menos o filho do fazendeiro, que está incapaz de lutar por causa de
sua lesão.

O fato é que você não pode saber quais mudanças a vida trará ou quais serão suas
consequências. Equanimidade permite o mistério das coisas: a natureza irreconhecível,
incontrolável das coisas serem exatamente o que são. Nessa aceitação radical aparece
a paz e a liberdade – logo ali no meio de circunstâncias prazerosas ou desagradáveis
nós nos encontramos. Quando nos abrimos para a verdade de que há um mínimo que
podemos controlar além de nossas reações a circunstâncias, aprendemos a deixar pra lá.
Cultivar qualidades de bondade, compaixão, e alegria abre seu coração para os outros.
Equanimidade equilibra a doação para o amor de seu coração com reconhecimento e
aceitação que as coisas são do jeito que são. Por mais que possa se importar com alguém,
por mais que faça pelos outros, por mais que goste de controlar as coisas, equanimidade
lembra-o que todos os seres são responsáveis por suas ações, e pelas consequências delas.

Sem esse reconhecimento, é fácil cair na fadiga da compaixão, no cansaço daqueles que
ajudam e até no desespero. Equanimidade permite a você abrir o coração e oferecer amor,
bondade, compaixão e alegria, enquanto deixa suas expectativas e apegos aos resultados.
Equanimidade dota os outros três brahmaviharas com kshanti: paciência, persistência
e indulgência. Então, você mantém o coração aberto, mesmo se bondade, compaixão e
alegria apreciativa que você oferece aos outros não retorna. E quando você é confrontado
com ações não-virtuosas de outros, equanimidade permite-o sentir compaixão pelo
sofrimento que estão por baixo dessas ações assim como o sofrimento que essas ações
causam nos outros. É equanimidade que traz incomensurabilidade ou ilimitação para os
outros três brahmaviharas.

Conforto com o que é

Sua prática de asana oferece uma boa oportunidade de se tornar melhor em reconhecer
onde, quando e como você é pego ou varrido pela reatividade, e para observar seu apego
aos resultados. Você pode até observar um apego ao resultado em sua motivação para
praticar! O desejo de se sentir bem e evitar o desagradável pode condicionar toda sua
experiência de prática. Mas fixar nos resultados pode fazer você perder aspectos chaves

do processo. Enquanto continua em sua prática de asana, em algum ponto é provável que
fatores fora de seu controle – realidades anatômicas, lesões, envelhecimento, ou doença –
afetarão sua prática. Quando isso acontece, você tem a chance de praticar equanimidade se
libertando dos apegos ao resultado que você tem buscado. Equanimidade dá energia para
persistir, independente do desenlace, porque você está conectado à integridade do esforço.
No Bhagavad Gita, Krishna diz a Arjuna que essa atitude de focar na ação sem o apego ao
resultado é Yoga: “Seguro de si, resoluto, aja sem nenhum pensamento para os resultados,
aberto para o sucesso ou a falha. Essa equanimidade é Yoga.” Similarmente, Patanjali
nos diz no capítulo 1 do Yoga Sutra, sutras 12 a 16, que abhyasa, esforço contínuo, junto
com vairagya, a vontade de observar a experiência sem ser pego na reatividade, levará à
liberdade do sofrimento.

Sentando com equanimidade

Para uma prática formal para cultivar equanimidade, comece com algumas respirações
tranquilas ou uma meditação em mantra. Quando se sentir calmo, reflita no desejo de
felicidade e liberdade do sofrimento, para você e para os outros. Contemple o desejo de
servir as necessidades de outros e de ser apaixonadamente comprometido com o mundo.
Tome conhecimento tanto da alegria como do sofrimento que existe no universo – as
ações boas e más. Enquanto continua a respirar no centro do peito, tome conhecimento da
necessidade de equilibrar o desejo de fazer mudanças positivas no mundo com a realidade
de que não pode controlar as ações dos outros.

Traga à mente a imagem de alguém por quem não tenha nenhum tipo de sentimentos fortes.
Com essa pessoa nos olhos da mente, repita a seguinte frase para si mesmo, coordenando
com a expiração, se quiser:

Todos os seres, como você mesmo, são responsáveis por suas próprias ações.

Sofrimento ou felicidade são criados a partir da relação de alguém com a experiência, não
pela experiência em si.

Embora deseje apenas o melhor para você, sei que sua felicidade ou infelicidade depende
de suas ações, não de meus desejos para você.

Que você não seja pego na reatividade.

Sinta-se livre para usar outras frases similares, apropriadas e elaboradas por você. Depois
de alguns minutos, mude a atenção para seus benfeitores, incluindo professores, amigos,
família e trabalhadores invisíveis que mantêm a estrutura da sociedade. Silenciosamente
repita as frases para si mesmo enquanto contempla esses benfeitores.

Depois de alguns minutos, comece a refletir em pessoas amadas, direcionando frases a eles,
seguidas por pessoas difíceis em sua vida. Enquanto sentimentos de bondade, compaixão
e alegria por aqueles que amamos vem mais facilmente do que para aqueles com quem
temos alguma dificuldade, muitas vezes é o oposto com a equanimidade. É bem mais fácil
aceitar que aqueles que não gostamos são responsáveis pela própria felicidade do que é
para aqueles que nós nos importamos profundamente, porque nos sentimos mais apegados
a eles. Qualquer que seja sua experiência, simplesmente note alguma reatividade e veja se
pode ser equânime com sua reatividade! Estenda seu alcance depois de alguns minutos para
incluir todos os seres em qualquer lugar do mundo, e finalmente contemple a equanimidade

em relação a você, notando como assumir responsabilidade por sua própria felicidade e
infelicidade pode ser o mais difícil de tudo.

Todos os seres, incluindo eu mesmo, são responsáveis pelas suas próprias ações.

Sofrimento ou felicidade são criados a partir da relação de alguém com a experiência, não
pela experiência em si.

Embora deseje apenas o melhor para mim, sei que minha felicidade ou infelicidade depende
de minhas ações, não de meus desejos para mim mesmo.

Que eu não seja pego na reatividade.

Quando cultiva metta (a qualidade amigável de relação amável), karuna (a resposta
compassiva ao sofrimento alheio), e mudita (a alegria pela felicidade e sucesso de outros), é
a equanimidade que permite você verdadeiramente expandir a capacidade de experimentar
esse tipo de amor sem limite para aqueles além do seu círculo imediato de amigos e família,
abrindo para capacidade infinita do coração de abranger todos os seres.

domingo, 30 de setembro de 2012

:))

Registrar que você está bem, feliz, satisfeito e tranquilo é sempre muito importante.
Que setembro termine, e que outubro venha ainda melhor :))

domingo, 9 de setembro de 2012

Bolinho de Ricota e Espinafre

INGREDIENTES

- 1/2 k de ricota amassada;
- 200g de espinafre cozido e picado finamente;
- 1 ovo;
- 3 colheres de farinha de trigo;
- 1 colher de queijo ralado;
- sal e pimenta
- farinha de rosca para empanar, água e sal para passar os bolinhos levemente antes da farinha de rosca;
- óleo para fritar

MODO DE PREPARO

Junte a ricota, espinafre, ovo, farinha, queijo, sal, pimenta. Amasse até obter uma liga para enrolar. Faça bolinhos, passe na peneira farinha e rosca e frite.





quarta-feira, 5 de setembro de 2012

05.09.2012


"Se a paixão há de ser passageira, que passe bem devagar, ao longo de nossa vida inteira.." 

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Aquilo que não posso enviar

Odeio não falar com você. Odeio essa situação. Odeio que você não sente o mesmo por mim. Odeio que eu sinto o que eu sinto por você. Odeio não haver essa compatibilidade enquanto em todos os outros aspectos a gente é compatível. Odeio que um relacionamento não sobrevive quando os sentimentos são diferentes. Odeio. Odeio que é necessário distância para acalmar a alma e colocar os pensamentos no lugar. Odeio tudo isso. Odeio não saber como você está e como foi o seu dia. Odeio sentir sua falta. Odeio sentir saudades. Odeio que a primeira pessoa que eu gostei de verdade, não gostou de mim de volta. Odeio. Odeio que virei seu melhor amigo. Odeio que você me conquistou. Odeio que parte do meu coração é seu. Odeio que você virou uma parte gigante da minha rotina. Odeio ter que me reinventar para poder te esquecer. Odeio ter que te esquecer. Odeio. Não sei o que fazer. Quero jogar tudo para o alto e continuar falando com você normal. Mas não posso. Sinto sua falta, te amo.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Quando pensar é não compreender


Olhar e “não pensar” é estar no presente da vida, abandonar estratégias do passado, tirar novas fotografias, honrar o que É. Quantos de nós mesmos não somos senão “inércia de outros tempos” , olhar “contaminado” pelo que se carrega dentro.. O poeta sabe, porque ama.. Mas não sabe por que ama..


O Guardador de Rebanhos

O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar
pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do mundo...
Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...
O Mundo não se fez para
pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele
e estarmos de acordo ...
Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza, não é porque
saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem
o que é amar...
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência é não pensar...

terça-feira, 17 de julho de 2012

Desapareça

"E nisso, eu te afastei. Afastei-te e depois me afastei, desaparecendo, te apagando da minha vida. Eu fugi. Sai correndo de algo tão intenso e tão fora do controle. Algo que, em pouco tempo, mexeu muito comigo. Por que você foi atrás? Por que você não me deixou ir? Por que você voltou? Por que?"

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Quentão

Tempo de preparo: 40min
Rendimento: 8 porções

INGREDIENTES

1 garrafa de cachaça (600 ml)
600 ml de água
1/2 kg de açúcar
Casca de 2 laranjas
Casca de 1 limão
50 g de gengibre em pedacinhos
Cravo-da-índia a gosto
Canela de pau a gosto
1 maçã cortada em pedacinhos

MODO DE PREPARO

Colocar em uma panela grande o açúcar, as cascas de laranja e limão, o gengibre, o cravo e a canela

Quando o açúcar estiver derretendo colocar a cachaça e a água, deixando cozinhar por 20 a 25 minutos em fogo médio

Filtre, e após coloque a maçã picadinha

Manter no fogo, após o preparo

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Quiche Delícia



Massa:

2 xícaras de chá de farinha de trigo
100 g de margarina qualy
1 ovo
sal a vontade

1ª OPÇÃO RECHEIO:

1 vidro de palmito Picado
50 g de azeitonas bem picadas
150 g de ricota esmigalhada
3 unidades de alho-poró em rodelas
1 cebola picada
1 colher de sopa de margarina qualy
1 copo de leite
2 colheres de sopa de farinha de trigo
200 ml de creme de leite fresco
sal e temperos a vontade

2ª OPÇÃO RECHEIO:

1 cebola picada
300 g de peito de peru picado
5 tomates picados em cubos
150 g de queijo prato picado
150 g de mussarela picada
azeite e oregano a vontade


Montagem:

1 unidade de gema de ovo para pincelar as beiradas
queijo ralado e orégano para polvilhar


Modo de Preparo:

1º faça o recheio:

1º recheio:
refogar: alho poró, palmito, azeitonas, cebola, ricota na margarina até murchar. acrescente o leite previamente misturado na farinha de trigo, e os temperos.
deixe engrossar e acrescente o creme de leite deixando em fogo baixo e mexendo até ficar mais seco.

Reserve.

2º recheio:
refogar: cebola picada com 2 colheres de sopa de azeite. quando a cebola estiver bem macia, adicione o peito de peru picado. Mexa por alguns instantes e acrescente o tomate.
misture até sentir que os tomates soltaram um pouco de água. desligue o forno e misture com o queijo prato e a mussarela.

Reserve.

Massa:
amasse bem todos os ingredientes até dar liga. se não der, adicione gotas de água até dar boa consistência para abrir a massa com um rolo.
forre uma forma que contenha fundo e paredes, comprimindo a massa nas bordas e no fundo da forma.

Montagem:
coloque o recheio frio sobre a massa e por cima do recheio pincele com a gema. polvilhe queijo ralado e orégano e leve ao forno por aproximadamente 45 minutos.


sexta-feira, 25 de maio de 2012

Amizade a conta-gotas

Psicóloga e pesquisadora do MIT diz que os contatos curtos, rápidos e utilitários por mensagens de texto e redes sociais, como o Facebook, estão substituindo conversas de verdade

Por Sherry Turkle*

The New York Times

Vivemos num universo tecnológico no qual estamos sempre nos comunicando. Mas parece que estamos sacrificando a conversa plena em nome de uma mera conexão.

Em casa, as famílias se sentam juntas e ao mesmo tempo mandam mensagens de texto e leem e-mails. No trabalho, executivos trocam SMS no meio das reuniões. Enviamos mensagens (além de fazer compras e atualizar o Facebook) durante as aulas e até encontros românticos. Meus alunos me contaram sobre uma nova habilidade: olhar nos olhos da pessoa enquanto digitamos uma mensagem no celular para outra; é difícil, mas não impossível.

Nos últimos 15 anos, estudei tecnologias móveis e conversei com centenas de pessoas sobre suas vidas plugadas. Aprendi que os pequenos aparelhos que carregamos são tão poderosos a ponto de mudarem não apenas o que fazemos, mas quem somos.

Nós nos acostumamos a uma nova situação: estar “juntos sozinhos”. Munidos da tecnologia, podemos estar em contato com qualquer um, em qualquer lugar, conectados ao ambiente que desejarmos. Queremos personalizar nossas vidas. Queremos entrar e sair de onde quer que estejamos. E com isso, nos acostumamos a estar em uma tribo de uma pessoa só, leais ao nosso próprio partido.

Colegas de trabalho querem participar das reuniões, mas só prestam atenção no que lhes interessa. Para alguns, é uma boa ideia, mas é possível que acabemos nos escondendo, mesmo constantemente conectados.

Um empresário lamenta que não tem mais colegas no trabalho. Ele não faz pausas para conversas casuais. Diz que não quer interromper. Todos estão “ocupados demais respondendo e-mails”, diz. Mas ele se corrige. “Não é verdade. Sou eu que não quero ser interrompido. Acho que eu deveria fazer diferente, mas prefiro resolver as coisas pelo BlackBerry.”

Um adolescente de 16 anos que recorre às mensagens de texto para praticamente tudo diz, com certa melancolia: “Um dia, algum dia, gostaria de aprender a manter uma conversa de verdade – mas não hoje”.

Bolha. No ambiente de trabalho contemporâneo, jovens que cresceram com medo de conversar chegam para trabalhar usando fones de ouvido. Ao passear pela biblioteca de uma universidade ou pelo escritório de uma empresa de tecnologia, vemos a mesma cena: estamos juntos, mas cada um ocupa sua bolha, digitando furiosamente em teclados e telas sensíveis.

Um sócio sênior de um escritório de advocacia de Boston (EUA) descreve a situação no seu trabalho. Jovens advogados depositam seu arsenal tecnológico sobre a mesa: laptops, iPods e numerosos celulares. E então eles põem os fones nos ouvidos. “Fones imensos, como os de pilotos. Eles transformam suas mesas em cabines de avião.” Assim, o escritório fica em silêncio, uma calma que não é quebrada.

No silêncio da conexão, as pessoas se confortam com a ideia de estar em contato com um grande número de pessoas – cuidadosamente mantidas à distância. Mas não é possível ter uma relação boa se usarmos a tecnologia para nos manter separados por distâncias controladas: nem perto demais, nem longe demais, no ponto certo.

Mensagens de texto, e-mails e atualizações de status permitem que mostremos o “eu” que desejamos ser. Isto significa que podemos editar. E, se quisermos, podemos deletar. Ou retocar: a voz, a carne, o rosto, o corpo. Nem muito, nem pouco – na medida certa.

Os relacionamentos humanos são ricos, caóticos e exigem muito de nós. Com a tecnologia, adquirimos o hábito de organizá-los melhor. E a mudança da conversa para a simples conexão faz parte deste fenômeno. Mas, neste processo, estamos nos enganando. Pior ainda, parece que, com o tempo, paramos de nos importar, esquecendo que há uma diferença entre as duas formas de relacionamento.

Pouco a pouco. Somos tentados a pensar que nossas pequenas “gotas” de conexão online equivalem a um grande gole de conversa. Mas não é verdade. E-mail, Twitter, Facebook, todos têm seu lugar – na política, no comércio, no romance e na amizade. Mas, por mais valiosos, não devem ser considerados substitutos de uma conversa.

Conectar-se em pequenas gotas funciona quando precisamos de informações específicas, ou para dizer “Estou pensando em você”. Ou até para dizer “Eu te amo”. Mas conectar-se em pequenas gotas não dá tão certo quando queremos conhecer e compreender um ao outro. Nas conversas, damos atenção ao próximo. Podemos reparar no tom de voz, nas nuances. Somos levados a ver as coisas do ponto de vista de uma outra pessoa.

As conversas cara a cara se desenrolam lentamente. Elas nos ensinam a paciência. Quando nos comunicamos por nossos aparelhos, desenvolvemos hábitos diferentes. Conforme aumentamos o volume e a velocidade das conexões online, começamos a exigir respostas mais rápidas. Para obtê-las, fazemos perguntas mais simples; reduzimos a sofisticação da comunicação, mesmo sobre temas importantes. Shakespeare diria: “Somos consumidos por aquilo que nos alimentou”.



Usamos as conversas para aprender a conversar com nós mesmos. Assim, nossa fuga delas pode diminuir a autorreflexão. Hoje em dia, as mídias sociais perguntam constantemente “No que você está pensando?”, mas temos pouca motivação para dizer algo que seja de fato fruto de uma reflexão pessoal. Refletir sobre nós mesmos exige confiança. Quando temos 3 mil amigos no Facebook, é difícil ter uma relação além do simples “conectar-se”.

Máquina-homem. Conforme nos acostumamos a esta conversa mais superficial, nos mostramos quase dispostos a dispensar as pessoas completamente. Pesquisadores pensam que, no futuro, programas de computador farão o papel de psiquiatras. Um aluno do ensino médio me confessou que preferiria conversar sobre garotas com uma inteligência artificial do que com o próprio pai. Ele diz que a I.A. teria mais informações. De fato, muitas pessoas me dizem esperar que a Siri, assistente digital do iPhone 4S, se torne cada vez mais uma melhor amiga: alguém que possa escutar quando ninguém mais se dispõe.

Durante os anos que dediquei à pesquisa do relacionamento das pessoas com a tecnologia, ouvi com frequência desabafos como “ninguém me dá ouvidos”. Acredito que este sentimento ajude a explicar por que desejamos tanto uma página no Facebook e uma conta no Twitter – elas nos proporcionam um grande número de ouvintes automaticamente. E também explica por que tantas pessoas se dispõem a conversar com máquinas que simulam o contato humano. Pesquisadores de todo o mundo têm inventado robôs sociáveis, projetados para fazer companhia a idosos, crianças, e todos nós.

Uma das experiências mais assombrosas da minha pesquisa aconteceu quando comprei um desses robôs, em forma de filhote de foca, para uma instituição que cuidava de idosos, e uma senhora começou a conversar com ele sobre a perda do seu filho. O robô parecia olhar nos olhos dela. Parecia acompanhar a conversa. Ela se sentiu confortada.

Muitas pessoas consideraram isto incrível. Este entusiasmo revela até que ponto confundimos conversa e conexão, e o quanto adotamos coletivamente um novo tipo de delírio em que aceitamos a simulação da compaixão como substituto. Que motivo teríamos para conversar sobre amores e perdas com uma máquina sem quaisquer vivências no leque de possibilidades da vida?

Solução fácil. Esperamos mais da tecnologia e menos um do outro, e parecemos cada vez mais atraídos pelas tecnologias que proporcionem a ilusão de companhia sem as exigências do relacionamento. Dispositivos que estão sempre conectados e sempre conosco induzem a crer em três fantasias poderosas: a ideia de que sempre seremos ouvidos; que podemos concentrar nossa atenção no que bem entender; e que nunca teremos de ficar sozinhos. De fato, nossos dispositivos transformaram o “estar sozinho” num problema que pode ser solucionado.

Quando as pessoas ficam sozinhas, ainda que por instantes, logo procuram um aparelho no bolso. Neste caso o nosso impulso constante (quase um reflexo) molda uma nova maneira de ser.

Pense nisto como “Compartilho, logo existo”. Usamos a tecnologia para definir a nós mesmos com os pensamentos e sentimentos que compartilhamos exatamente na hora que os vivenciamos. Costumávamos pensar “Sinto alguma coisa; quero ligar para alguém”. Agora, nosso impulso é “Quero sentir alguma coisa; preciso enviar um texto”.

Assim, para sentir mais, e nos sentirmos mais donos da própria personalidade, nós nos conectamos. Mas, em nossa busca apressada pela conexão, fugimos da solidão, da nossa capacidade de nos separar da multidão e organizar o próprio indivíduo. Sem capacidade de suportar a solidão, nos voltamos para outras pessoas, sem no entanto vivenciá-las como realmente são. É como se as usássemos, como se precisássemos delas como peças capazes de sustentar nosso ser, cada vez mais frágil.

Achamos que a conexão constante nos fará menos sozinhos. Mas o contrário é verdadeiro. Se não formos capazes de ficar sozinhos, é muito maior a probabilidade de nos sentirmos solitários. Se não ensinarmos nossos filhos a ficar sozinhos, eles não aprenderão a suportar a solidão.

Sou uma defensora da conversa. Para abrir mais espaço para ela, considero necessários alguns passos fundamentais. Em casa, podemos criar espaços sagrados: a cozinha, a sala de jantar. Podemos transformar nossos carros em “zonas de exclusão”. Podemos mostrar o valor da conversa aos filhos. E fazer o mesmo no trabalho. No ambiente profissional, estamos sempre tão ocupados nos comunicando que falta tempo para conversar sobre o que realmente importa.

Hoje há as sextas-feiras casuais; talvez os administradores devam pensar em criar as quintas-feiras de conversa. Acima de tudo, precisamos lembrar – entre mensagens de textos, e-mails e atualizações do Facebook – de ouvir uns aos outros. É nos momentos sem edição, nos momentos em que hesitamos, quando gaguejamos e ficamos em silêncio, que revelamos nosso “eu” aos outros.

Eu costumava passar os verões num chalé na baía de Cape Cod, perto de Boston, e, durante décadas, caminhei pelas mesmas dunas que Thoreau um dia percorreu. Não faz muito tempo, as pessoas costumavam caminhar com a cabeça erguida, olhando para a água, para o céu, para a areia e umas para as outras, conversando. Agora, com frequência caminham olhando para baixo, digitando. Mesmo quando estão acompanhadas de amigos, namorados, crianças, todos estão mexendo nos seus dispositivos.

Então, recomendo que ergamos o rosto, que olhemos uns para os outros e comecemos a conversar.

/Tradução de Augusto Calil

*É psicóloga, professora do MIT e autora de Alone Together

terça-feira, 8 de maio de 2012

O Valor dos Pais

Um jovem de nível acadêmico excelente, candidatou-se à posição de
gerente de uma grande empresa.

Passou a primeira entrevista e o diretor fez a última, tomando a última decisão.

O diretor descobriu, através do currículo, que as suas realizações
acadêmicas eram excelentes em todo o percurso, desde o secundário até
à pesquisa da pós-graduação e não havia um ano em que não tivesse
pontuado com nota máxima.

O diretor perguntou, "Tiveste alguma bolsa na escola?"

O jovem respondeu, "nenhuma".

O diretor perguntou, "Foi seu pai quem pagou as suas mensalidades ?" o
jovem respondeu, "O meu pai faleceu quando eu tinha apenas um ano, foi
a minha mãe quem pagou as minhas mensalidades."

O diretor perguntou, "Onde trabalha a sua mãe?" - e o jovem respondeu:
"A minha mãe lava roupa."

O diretor pediu que o jovem lhe mostrasse as suas mãos. O jovem
mostrou um par de mãos macias e perfeitas.

O diretor perguntou, "Alguma vez ajudou sua mãe lavar as roupas?" - o
jovem respondeu: "Nunca, a minha mãe sempre quis que eu estudasse e
lesse mais livros. Além disso, a minha mãe lava a roupa mais depressa
do que eu."

O diretor disse, "Eu tenho um pedido. Hoje, quando voltar, vá e limpe
as mãos da sua mãe e depois venha ver-me amanhã de manhã."

O jovem sentiu que a hipótese de obter o emprego era alta. Quando
chegou em casa, pediu, feliz, à mãe que o deixasse limpar as suas
mãos. A mãe achou estranho, estava feliz, mas com um misto de
sentimentos e mostrou as suas mãos ao filho.

O jovem limpou lentamente as mãos da mãe. Uma lágrima escorreu-lhe
enquanto o fazia. Era a primeira vez que reparava que as mãos da mãe
estavam muito enrugadas e havia demasiadas contusões nas suas mãos.
Algumas eram tão dolorosas que a mãe se queixava quando limpava com
água.

Esta era a primeira vez que o jovem percebia que este par de mãos que
lavavam roupa todo o dia tinham-lhe pago as mensalidades. As contusões
nas mãos da mãe eram o preço a pagar pela sua graduação, excelência
acadêmica e o seu futuro.
Após acabar de limpar as mãos da mãe, o jovem silenciosamente lavou as
restantes roupas pela sua mãe.

Nessa noite, mãe e filho falaram por um longo tempo.

Na manhã seguinte, o jovem foi ao gabinete do diretor.

O diretor percebeu as lágrimas nos olhos do jovem e perguntou,
"Diz-me, o que fez e que aprendeu ontem em sua casa?"

O jovem respondeu, "Eu limpei as mãos da minha mãe e ainda acabei de
lavar as roupas que sobraram."

O diretor pediu, "Por favor, diz-me o que sentiu."

O jovem disse "Primeiro, agora sei o que é dar valor. Sem a minha mãe,
não haveria um eu com sucesso hoje. Segundo, ao trabalhar e ajudar a
minha mãe, só agora percebi a dificuldade e dureza que é ter algo
pronto. Em terceiro, agora aprecio a importância e valor de uma
relação familiar."

O diretor disse, "Isto é o que eu procuro para um gerente. Eu quero
recrutar alguém que saiba apreciar a ajuda dos outros, uma pessoa que
conheça o sofrimento dos outros para terem as coisas feitas e uma
pessoa que não coloque o dinheiro como o seu único objetivo na vida.
Está contratado."

Mais tarde, este jovem trabalhou arduamente e recebeu o respeito dos
seus subordinados. Todos os empregados trabalhavam diligentemente e
como equipe. O desempenho da empresa melhorou tremendamente.

Uma criança que foi protegida e teve habitualmente tudo o que quis se
desenvolverá mentalmente e sempre se colocará em primeiro. Ignorarará
os esforços dos seus pais e quando começar a trabalhar, assumirá que
todas as pessoas o devem ouvir e quando se tornar gerente, nunca
saberá o sofrimento dos seus empregados e sempre culpará os outros.
Para este tipo de pessoas, que podem ser boas academicamente, podem
ser bem sucedidas por um tempo, mas eventualmente não sentirão a
sensação de objetivo atingido. Irão resmungar, estar cheios de ódio e
lutar por mais.

Se somos esse tipo de pais, estamos realmente a mostrar amor ou
estamos a destruir o nosso filho?

Pode-se deixar seu filho viver numa grande casa, comer boas refeições,
aprender piano e ver televisão num grande TV em plasma. Mas quando
cortar a grama, por favor, deixe-o experienciar isso. Depois da
refeição, deixe-o lavar o seu prato juntamente com os seus irmãos e
irmãs. Deixe-o guardar seus brinquedos e arrumar sua própria cama.
Isto não é porque não tem dinheiro para contratar uma empregada, mas
porque o quer é amar e ensinar como deve de ser. Quer que ele entenda
que não interessa o quão ricos os seus pais são, pois um dia ele irá
envelhecer, tal como a mãe daquele jovem. A coisa mais importante que
os seus filhos devem entender é a apreciar o esforço e experiência da
dificuldade e aprendizagem da habilidade de trabalhar com os outros
para fazer as coisas.

Quais são as pessoas que ficaram com mãos enrugadas por mim?

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Brighter than the sun :)

Oh, this is how it starts
Lightning strikes the heart
It goes off like a gun
Brighter than the sun

Stop me on the corner
I swear you hit me like a vision
I, I, I wasn't expecting
But who am I to tell fate where it's supposed to go with it?
Don't you blink you might miss it
See we got a right to just love it or leave it
You find it and keep it
Cause it ain't every day you get the chance to say

Oh, this is how it starts
Lightning strikes the heart
It goes off like a gun
Brighter than the sun
Oh, it could be the stars
Falling from the sky
Shining how we want
Brighter than the sun

I never seen it,
I found this love I'm undefeated
You better believe, I'm gonna treat it
Better than anything I've ever had
Cause you're so damn beautiful read it
It's time and deliver it let's seal it
Boy we go together like peanuts and paydays
And Marley and reggae
And everybody needs to get a chance to say

Oh, this is how it starts
Lightning strikes the heart
It goes off like a gun
Brighter than the sun
Oh, it could be the stars
Falling from the sky
Shining how we want
Brighter than the sun

Everything is like a white out
Cause we shook a, shook a shine down
Even when, when the light's out
But I can see you glow
Got my head up in the rafters
Got me happy ever after
Never felt this way before
Ain't felt this way before

Oh, this is how it starts
Lightning strikes the heart
It goes off like a gun
Brighter than the sun

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Os sem-celular

por Vanessa Barbara

O telefone celular não é apenas um artefato do Coisa-Ruim, assim como a televisão é a Besta encarnada. É um rastreador do governo/alienígenas/palhaços/Grandes Corporações que serve para manter cada indivíduo sob o domínio deles. Via satélite, eles controlam aonde o senhor 9999-9999 vai, o que fala, quanto tempo demora a digerir um rosbife e tudo o que está pensando, inclusive quando, silenciosamente, comemora: "Humm, rosquinhas."

Somos 37 os integrantes do combalido Grêmio Pan-americano de Repúdio ao Celular, organização com fins lucrativos que se dedica a imprecar contra o aparelho de telefonia móvel. No quadro de associados, figuram meu avô, o Elton John, um sujeito que mora ao sul de Tocantins, uma velha chamada Celeste que tem os dedos gordos e não consegue apertar as teclas individualmente, o Chico Buarque, o Matheus Nachtergaele, o tio de uma amiga minha, a cantora Stephany do Piauí, um andarilho chamado Ganesha Sol de Oliveira e eu.

Nos últimos meses, o número de membros só tem diminuído, devido à idade avançada dos fundadores e por conta de certos escândalos - como telefones pessoais vibrando durante a reunião de diretoria.

Em dezembro do ano passado, o Brasil chegou a 169 milhões de celulares, São 88,43 aparelhos para cada 100 habitantes. É questão de tempo para que todos os terráqueos (menos nós, os 37) estejam sob o domínio deles.

É fácil reconhecer as vítimas deles. Vejam como ficam desorientados, remexendo suas bolsas diante de qualquer ruído, mesmo quando a gente imita som de telefone com a boca. Diante de um sinal preestabelecido, como o hino do Palmeiras ouAdocica, de Beto Barbosa, todos sairão correndo para atender seus respectivos telemóveis e receberão ordens de aplicar petelecos uns aos outros. A senha para a instauração da balbúrdia será: "É o meu! É o meu!", e nós, os 37, assistiremos ao espetáculo com um sorriso no rosto, tranquilos e gabolas.

Gostamos bastante de celulares que explodem. Apreciamos macabros ringtones que provocam sustos nos proprietários. Exultamos ao ver as filas à porta das operadoras, gente que tropeça no ônibus com o aparelho equilibrado entre a orelha e o ombro e, sobretudo, o semblante de pânico e prontidão no rosto de quem traz a maléfica engenhoca no bolso. Reagimos com euforia às pesquisas que dizem que o celular dá gota, tifo e problemas abdominais a esclarecer. Exemplo: a partir de 1994, a cidade de Londres registrou um declínio de 75% na população de pássaros, o que coincide com a popularização dos celulares na cidade.

Outro dia, li numa revista institucional uma matéria definitiva sobre as benesses do celular, elaborada inteiramente a partir de um gerador automático de artigos: cinco páginas de puro senso comum, com estatísticas aleatórias e frases de efeito a cada fim de parágrafo. O texto, que de resto era profundo como uma bateria de telefone portátil, terminava, triunfantemente, da seguinte maneira: "Com ou sem radiação, símbolo de status, objeto funcional ou companheiro virtual, não importa: o celular mudou definitivamente as nossas vidas - e o seu alcance ainda nem chegou perto de todo o seu potencial."

Como se pode ver, o celular realmente frita os neurônios. Em questão de minutos. "Com ou sem radiação" virou o mote do nosso grêmio, que se gaba de ter um telefone fixo, de disco, só para receber ligações dos advogados da Cooperativa de Telefonia Móvel. Também temos orgulho de haver eleito Edson Celulari como inimigo número um da classe, num congresso que durou três horas e terminou com uma feirinha de artesanato e papéis de carta.

Uma coisa que invejamos nos usuários, porém, é a capacidade de realizar complexas operações matemáticas e calcular variantes. Exemplo: a operadora X fornece 23% de desconto na franquia mensal para quem fala 280 minutos em ligações locais, envia 100 torpedos por mês, baixa três megabytes de dados e tem uma tia chamada Lourdes. Já a operadora Y cobra só depois do primeiro minuto, permite roaming gratuito, exige fidelidade de dezoito meses e libera sem custos o envio de fotomensagens. É preciso ter doutorado em estatística para computar esses dados. Pois bem, o detentor de um celular considera todos esses fatores simultaneamente e, no final, escolhe o pior plano, com os piores atendentes, e um sinal fanho que só melhora nas cercanias do Pico do Jaraguá.

Em geral, o dono de uma linha iniciada com 6, 7, 8 ou 9 costuma estrear a engenhoca no ônibus. A quem interessar possa, se é que isso algum dia interessaria a alguém, ele grita: alô? está me escutando? estou entrando num túnel. E em seguida passa a fornecer informações em tempo real sobre o itinerário. É esse o grande barato do telefone móvel: anunciar ao pessoal de casa que já vou chegar, estou na frente do castelinho, e, pouco depois: acabei de passar no ponto do frangão, mais uns cinco minutos... É comum mentirem: em Copacabana, dizem que estão quase chegando no Méier. Ou então engatam uma conversa íntima sobre o furúnculo do cunhado, a excursão feita pela Europa, as enchentes, a evolução das espécies. Quando menos se espera, o bate-papo já virou briga, com direito a descrição dos mais recentes escândalos extraconjugais. O chato é que ninguém está autorizado a levantar a mão e tirar suas dúvidas.

Há também os que atendem o telefone no cinema, gritando: agora não dá, estou no cinema (não diga!). Ou os que resolvem checar as mensagens durante os trailers, projetando um facho de luz celestial que cega temporariamente até o homem da projeção. Ou então aqueles que usam o aparelho como se fosse um walkie-talkie, no viva-voz, e nem têm a gentileza de anunciar antes: "Estou aqui na praça com mais cinco desconhecidos, uns bebês, a moça do sorvete, o varredor e o pessoal que saiu do filme por minha causa. Todo mundo está ouvindo. O que você queria me contar sobre a sua micose?"

Como se não bastasse, os proprietários de celular são comprovadamente culpados por acidentes de toda sorte, como o entupimento involuntário de privadas e o congestionamento de pedestres nas calçadas. O fenômeno ocorre quando um ou mais transeuntes atendem uma chamada e passam a andar mais devagar, descrevendo um movimento de cambaleante zigue-zague, para desespero dos que estão atrás. É ruim, mas nada é pior do que tentar conversar com alguém que está mandando mensagens. De quando em quando, o sujeito levanta a cabeça, faz a tradicional pausa de quem estava em outra era geológica e pergunta: "Quem?", alcançando o assunto com dois meses de atraso.

Nosso grêmio está aceitando novos membros. A prioridade é para quem nunca teve um celular e não pretende ter, nem sob o seu cadáver, mesmo que seja justamente para chamar a emergência e salvar a própria vida. Também podem se candidatar aqueles que possuem o aparelho mas desejam se recuperar, os ex-nomofóbicos (dependentes patológicos) e os que o deixam desligado na gaveta de casa, desde que não saibam "que botão eu aperto para atender".

segunda-feira, 23 de abril de 2012

A Terceira Pessoa

Há algum tempo que não venho aqui. Há algum tempo não penso em postar algo aqui. 

Hoje me deparei comigo mesmo organizando a cozinha após chegar da faculdade. Enquanto eu fazia meu chá verde, empilhei as louças, limpei a mesa, enxuguei a pia. Pensei comigo mesmo se assim seria quando eu morasse sozinho. Imaginei cuidando da minha cozinha, da minha casa, do meu lar, de mim.

Sou uma união de duas pessoas. Elas brigam constantemente por um espaço. Elas atritam constantemente. E eu constantemente fico entre as duas. 

A primeira é responsável. Perfeccionista. Pontual. Impecável. Não admite combinados que não são cumpridos, se promete algo, ela cumpre e espera o mesmo dos outros. Trata com respeito até aqueles que não gosta muito. Faz favores e não espera nada em troca. Acredita que, se você agir corretamente, a vida irá lhe pagar de volta em dobro. Se cuida muito bem. Tem um lado vaidoso muito forte. Escova os dentes impecavelmente antes de dormir, lava o rosto com seu sabonete liquido especial de erva cidreira, passa um hidratante de olhos pois espera que isso faça diferença quando chegar aos trinta anos. Medita. Toma chás que acalmam sua ansiedade pelo futuro que sonha ter. Imagina o resto da sua vida e se vê cuidando de sua própria cozinha, com alguém que ama. Imagina ter filhos, imagina o sucesso, imagina a felicidade, imagina o futuro.

Mas.. tem vezes que isso tudo cansa. Que esse cenário perfeito parece estar muito longe do dia de hoje. As vezes sonhar pode ser frustrante. E dai a segunda pessoa chega.

Impulsiva. Destemida. Inconsequente. Espontânea. Ela é divertida porém, muitas vezes, auto destrutiva. Ela bebe demasiadamente, sempre acompanhada de um cigarro e um motivo para fazer uma loucura. Não tem medo do perigo, e sai no meio da noite em busca de uma porta para fora da rotina. Tem sede pelo diferente, pelo imprevisível, por uma saída que ela não sabe onde irá acabar. Quer conhecer pessoas novas, quer explorar o mundo sem ter hora para voltar. Quer fazer sexo sem compromisso, quer ter relações passageiras, quer ter o mundo aos seus pés e não dever absolutamente nada para ninguém. Quer roupas caras. Quer gastar dinheiro. Quer preencher o vazio que habita dentro dela. Mente, engana, inventa, calcula, inverte, manipula, rouba. 

Essas duas pessoas vivem em um ciclo. Em uma balança. As vezes é totalmente a primeira, as vezes é completamente a segunda, e por vezes é uma mistura das duas. Uma não vive sem a outra, e uma não sente vontade de surgir sem que a outra esteja muito tempo no comando. E elas, juntas, cada uma com o seu jeito, tentam me convencer a me livrar da outra.

Consigo sentir o prazer de cada uma delas, sinto vontade de viver as duas, quem dera ao mesmo tempo. Mas sinto que é preciso buscar uma terceira pessoa, que está perdida. Uma terceira pessoa que vive enforcada pelas outras duas. Uma terceira pessoa que constantemente se pune por não ser forte o suficiente para sair e ver o Sol. Ela assiste as outras duas como se tivesse, ora vendo um filme de terror, ora vendo um comercial de detergente. Uma terceira pessoa que, perdeu amores, confiança, carros, dinheiro, sucesso, tempo, ela mesma. Uma terceira pessoa que tem muito potencial, mas peca na credibilidade em si mesma. Ela é divertida e espontânea, e consegue ser responsável e organizada. Ela é destemida e também pensa no futuro, ela quer conhecer novas pessoas e, encontrar no meio delas, aquela que irá dividir o resto dos seus dias. Ela não sabe o fim da história.

Quieta, ela chora. Pensa em como terminar o dia satisfeita e orgulhosa como a primeira pessoa, e ao mesmo tempo começar empolgada e ansiosa como a segunda. E ela não sabe como fazê-lo. Ela não sabe pegar o melhor das duas e aplicar. E ela tenta, tenta, tenta...

domingo, 8 de abril de 2012

“É fácil trocar as palavras,
Difícil é interpretar os silêncios!
.....................
Como é por dentro outra pessoa?
Quem é que o saberá sonhar?
A alma de outrem é outro universo
Com que não há comunicação possível,
Com que não há verdadeiro entendimento.
Nada sabemos da alma
Senão da nossa;
As dos outros são olhares,
São gestos, são palavras,
Com a suposição
De qualquer semelhança no fundo.”

Fernando Pessoa

sexta-feira, 23 de março de 2012

O social da rede

por RENATO TERRA

Nome: Rodrigo Rodrigues. Moro em: Facebook. Em relacionamento sério com: Twitter. Religião: Orkut. Gênero: on-line. Sobre mim: “Sorria sempre, seus lábios não precisam traduzir o que acontece em seu coração” (Clarice Lispector).
Como vocês já devem ter visto em meus perfis pessoais, sou ator, jornalista, cineasta, blogueiro e diretor de arte de uma agência de propaganda. Minha vida, aliás, é um Facebook aberto. Uso aplicativos para informar meus seguidores onde estou, quantas colheres de açúcar coloco no café e quanto tempo falta para cortar as unhas do pé novamente. Todo mês, transmito o banho do meu pug ao vivo. Ontem mesmo, abri uma discussão para decidir se colocava roupa branca ou escura na máquina de lavar. Cento e setenta e nove pessoas comentaram.
Toda vez que saio de casa, publico fotos. Sem exceção. Não raro, saio de casa apenas para publicar fotos. No bolso, celular com câmera 5.1 megapixels, e o dedo mais lépido que o Papa-Léguas para acionar o plano de dados. Não deixo passar um pôr do sol. Plac! O celular é o melhor amigo do homem social. É o cachorro que cabe no bolso.
Tenho mais amigos que Luciano Huck e mais seguidores que Buda. Numa das vezes que fui às ruas em 2012, aliás, notei que um homem me encarava. Escaneei, em vão, minha memória em busca de uma imagem que pudesse associar àquele rosto. Arquivo não encontrado. Resolvi desviar o olhar, mas não consegui bloqueá-lo. Ele se alçou em minha direção e, qual um Angry Bird, materializou-se na minha frente. Ofegante, estendeu a mão e perguntou: “Você não é o Rodrigo Rodrigues do Facebook?” Aturdido, fiz sinal de positivo com o dedo indicador. Ele sacou o celular para uma foto.

Hoje tenho tantos seguidores e solicitações de amizade que minha vida social prescinde de interface humana. Quando estou on-line, tenho controle total da linha do tempo da minha vida. Nem que, para isso, seja preciso ler as políticas de privacidade de cabo a rabo. Nas redes sociais não envelheço, não titubeio, não tenho cólica ou remela. E tenho o Photoshop sempre à mão. Meu perfil fica cada vez mais bonito com o passar dos anos.
No começo, mamãe estranhava minha opção pelo virtual e implorou para eu procurar um psicólogo. Encontrei um que atendia via Skype e aceitava pagamentos via PayPal. Marcamos sessões semanais. As primeiras conversas foram produtivas, mas em pouco tempo encontrei um aplicativo grátis que desempenhava a mesma função.
Cheguei a fazer incursões esporádicas numa realidade sem configurações antispam. Aos 15 anos, conheci uma simpática avatar num site de relacionamentos e cometi o erro de marcar um encontro ao vivo. Por que eu não me contentei com o mural de fotos? Para piorar, ela se comunicava em mais de 140 caracteres e não tinha um filtro para bloquear o mau hálito. Tentei reinicializar. Em vão. Resultado: desde que surgiu a função “cutucar”, passei a flertar apenas on-line.
Hoje vivo sempre a curtir. Ver aquele dedo polegar levantado em sinal de positivo funciona como um bálsamo para a autoestima. Anos de análise não quebrariam tantas barreiras do subconsciente, complexos de inferioridade e desejos reprimidos de aceitação social.
O oposto também tem funções terapêuticas. Em dias carentes, qual um Roberto Shinyashiki randômico, atualizo meu status com trovoadas motivacionais. Atuo como um polinizador de utopias. Frases como “Mude, mas comece devagar, porque a direção é mais importante que a velocidade” são de arrepiar a alma. Quem não repensa toda uma vida depois de ler uma síntese como essa? Cada vez que um amigo clica em “curtir”, me sinto abraçado.
Treinei como um pequeno Yoda para potencializar meus dotes sociais e criei dogmas que faço questão de seguir. Eles são tão importantes que copiei e colei no meu perfil.
Regra #1: É fundamental fragmentar a atenção. Faço exercícios diários nesse sentido. Quando me pego lendo mais de dois parágrafos de um texto ou vendo filmes com mais de um minuto, desvio o olhar para outra coisa. Sou capaz de postar uma mensagem enquanto dirijo, mesmo que esteja conversando, ouvindo música e mexendo no GPS.
Regra #2: Olhe para as redes sociais como um Lévi-Strauss 2.0. É fundamental compreender as características antropológicas de cada uma. Use o Orkut para compartilhar piadas de salão. No Twitter, tente sempre parecer inteligente e, no Facebook, aja sempre como a pessoa que você gostaria de ser.
Regra #3: Encarne o Cesar Maia e interaja efusivamente com seus seguidores. Comente, curta, compartilhe. Separe vinte minutos pela manhã e escreva recados carinhosos para seus amigos aniversariantes.
Regra #4: Todo mundo tem um lado ruim. Para dar vazão a esse lado, crie um perfil falso.

Um social da rede que pretende causar buzz não pode olhar apenas para seu umbigo. É preciso antever as novidades, ter suas fontes e construir uma rede de contatos. Nunca se sabe quando um apresentador de telejornal fará uma nova trapalhada ou quando uma experiência fofinha envolvendo crianças será filmada novamente. A sociedade on-line dá crédito àquele que divulga rapidamente um comercial engraçado, uma notícia sobre os benefícios da cerveja ou a expertise de um bebê com seu tablet.
Modéstia à parte, creio que sou reconhecido – quiçá internacionalmente – pela ampla capacidade de mobilização em prol de temas humanitários. Se a gente não se fizer o bem, quem o fará? Recentemente, cativei todos os meus contatos, durante um mês, a assinar uma petição on-line contra uma enfermeira que espancou um ornitorrinco até a morte numa pet shop em Madagascar. Os jovens de 1960 quiseram salvar o mundo real. Minha geração, menos ingênua, não foge da luta: está disposta a pegar em armas virtuais para salvar os bichinhos com um clique no mouse. É uma utopia, mas os sonhos não envelhecem.
O bom é que posso me indignar sem ficar zangado. Basta compartilhar um vídeo do Arnaldo Jabor, uma imagem de um cachorro maltratado ou um texto incisivo sobre o assunto do momento. Já questionei os patrocinadores do Big Brother por bancarem um programa que estimula o estupro, enviei e-mails para o governo do Congo cobrando atitudes para melhorar aquele IDH chinfrim e publiquei fotos denunciando a clonagem de bonecas infláveis no sudoeste do Suriname. Nem Gandhi fez tanto!
Aliás, gostei desse texto. Pena que o autor é desconhecido. Vou postar no meu perfil dando crédito ao Verissimo para ver se alguém lê. 

domingo, 18 de março de 2012

Nossas qualidades atraem hostilidade

por Flávio Gikovate, domingo, 11 de Março de 2012 às 15:57 ·

Crescemos e nos formamos levando em consideração, basicamente, aquilo que ouvimos dos nossos pais e professores.

Por influência deles, somos levados a concluir que é conveniente sermos pessoas boas, esforçadas, trabalhadoras e gentis com os nossos colegas, uma vez que este é o caminho para sermos aceitos e queridos por eles.

Uma das mais desagradáveis surpresas que muitos de nós tiveram ao longo da adolescência reside no fato de que, exatamente por sermos portadores de tais qualidades, somos muito mais hostilizados que amados. A idéia de que o acúmulo de virtudes despertará o amor das pessoas parece lógica, de modo que quase todos se esforçam nesta direção.

Só não agem de modo legal aqueles que não conseguiram o desenvolvimento interior necessário para, por exemplo,controlar seus impulsos agressivos ou renunciar a determinados prazeres imediatos em favor de outros, maiores, colocados no futuro.

Assim, ao longo da vida adulta convivem dois tipos de pessoas: aqueles que conseguiram vencer estes obstáculos interiores e se tornaram criaturas melhores, e outros que não foram capazes de ultrapassar estas primeiras e fundamentais dificuldades – e que se esforçam ao máximo para disfarçar suas fraquezas.

Os primeiros são os que saíram vencedores no primeiro combate importante da vida, o de “domesticar” seus próprios impulsos destrutivos, e se transformaram em criaturas portadoras das propriedades humanas que somos unânimes em catalogar como virtudes.

O que acontece? Os perdedores se sentem incomodados e humilhados pelo fato de não possuírem igual capacidade de controle interior.

Este dado é muito importante, pois indica que, independentemente do que digam, os perdedores sabem perfeitamente quais são as virtudes e as apreciam; não aderem a elas porque isto implica em um esforço que não são capazes de fazer.

De todo modo, os perdedores – que adoram desfilar como “superiores” e indiferentes às questões de moral –, por se sentirem humilhados, também se sentem agredidos pela presença daquelas virtudes em uma outra pessoa que não neles próprios.

Comparam-se com o virtuoso, consideram-se inferiores a eles, sentem-se por baixo, irritados com a presença daquelas virtudes que adorariam possuir. A vaidade dos perdedores fica ferida e eles, como têm pouca competência para controlar a agressividade, saem atirando pedras.

É claro que tais pedradas têm de ser sutis para que não denunciem todos os passos do mecanismo da inveja: reação agressiva derivada de suposta ofensa na vaidade daquele que se sentiu inferiorizado por não ter as virtudes que lhes provocaram a admiração.

Sim, porque o invejoso admira muito o invejado; senão seria tudo totalmente sem sentido. Saber que o bandido inveja o mocinho é uma das razões da esperança que sempre tive no futuro da nossa espécie.

A agressividade sutil derivada da inveja nos derruba, entre outras razões, porque ela vem de pessoas que gostaríamos que nos amassem.

Afinal de contas, nos esforçamos tanto para conseguir os bons resultados justamente para ter essa recompensa. É difícil para um filho perceber que suas qualidades despertam em seu pai emoções contraditórias: por um lado, a admiração se transforma em inveja, de modo que o pai se ressente da boa evolução do filho.

O mesmo acontece entre mães e filhas, sendo inúmeras as exceções onde a admiração não dá origem à vertente invejosa.

As “agulhadas”, as indiretas e as observações depreciativas e inoportunas próprias da inveja existem de modo muito intenso entre irmãos (eternos rivais), entre marido e mulher, assim como em todas as outras relações sociais e profissionais.

É praticamente impossível uma pessoa se destacar por virtudes ou competências especiais sem ser objeto da enorme carga negativa derivada da hostilidade invejosa.

O mais grave é que não fomos educados para isso, de modo que nos surpreendemos e ficamos chocados ao observarmos esse resultado. A decepção é tal que muitos se desequilibram quando atingem algum tipo de destaque, condição na qual são levados a um estado de solidão – o oposto do que pretendiam.

Uns se drogam e outros tratam de destruir rapidamente o que construíram, de modo a deixarem de ser objeto de inveja.

Tudo isso é, além de triste, inevitável, ao menos no estágio atual do nosso desenvolvimento emocional. Poderíamos ser ao menos alertados por uma educação mais sincera e sem ilusões.

Toda ilusão trará uma desilusão!

A maior parte das pessoas jamais imaginou, por exemplo, o volume de problemas e de decepções por que passam as moças mais belas, especialmente quando isso se associa a uma inteligência sofisticada e a uma formação moral requintada.

São portadoras daquelas virtudes que mais aparecem e encantam a todos. São, por isso mesmo, objeto de uma hostilidade inesperada e enorme. Ficam totalmente encurraladas e quase nunca sabem como sair da situação a não ser destruindo algumas de suas propriedades.

terça-feira, 6 de março de 2012

Correndo atrás de borboletas

Quando depositamos muita confiança ou expectativas em uma pessoa, o risco de se decepcionar é grande. As pessoas não estão neste mundo para satisfazer as nossas expectativas, assim como não estamos aqui, para satisfazer as delas. Temos que nos bastar… nos bastar sempre e quando procuramos estar com alguém, temos que nos conscientizar de que estamos juntos porque gostamos, porque queremos e nos sentimos bem, nunca por precisar de alguém.

As pessoas não se precisam, elas se completam… não por serem metades, mas por serem inteiras, dispostas a dividir objetivos comuns, alegrias e vida. Com o tempo, você vai percebendo que para ser feliz com a outra pessoa, você precisa em primeiro lugar, não precisar dela.

Percebe também que aquela pessoa que você ama (ou acha que ama) e que não quer nada com você, definitivamente, não é o homem ou a mulher de sua vida. Você aprende a gostar de você, a cuidar de você, e principalmente, a gostar de quem gosta de você. O segredo é não correr atrás das borboletas… É cuidar do jardim para que elas venham até você.

No final das contas, você vai achar não quem você estava procurando, mas quem estava procurando por você!
Mario Quintana

domingo, 4 de março de 2012

doer a seco

pior do que doer la dentro, é doer e não sair lágrimas..e eu sei o quanto deveria sair, não só por essa vez, mas por todas as outras...

Vídeo do processo seletivo insper jr consulting 2012/2.

A Raposa e as Uvas

Uma Raposa, morta de fome, viu, ao passar diante de um pomar, penduradas nas ramas de uma viçosa videira, alguns cachos de exuberantes Uvas negras, e mais importante, maduras.

Não pensou duas vezes, e depois de certificar-se que o caminho estava livre de intrusos, resolveu colher seu alimento.

Ela então usou de todos os seus dotes, conhecimentos e artifícios para pegá-las, mas como estavam fora do seu alcance, acabou se cansando em vão, e nada conseguiu.

Desolada, cansada, faminta, frustrada com o insucesso de sua empreitada, suspirando, deu de ombros, e se deu por vencida.

Por fim deu meia volta e foi embora. Saiu consolando a si mesma, desapontada, dizendo:

"Na verdade, olhando com mais atenção, percebo agora que as Uvas estão todas estragadas, e não maduras como eu imaginei a princípio..." 



Moral da História:
Ao não reconhecer e aceitar as próprias limitações, o vaidoso abre assim o caminho para sua infelicidade.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

First Date

Alguns podem dizer que um primeiro encontro funciona como uma entrevista de emprego: deve-se fazer uso sutil porém marcante das suas melhores qualidades, não mentir sobre suas habilidades e jamais demonstrar insegurança. Ao final aguarde receber um call-back, já que hoje em dia ninguém gosta da sensação de ter tido uma experiência com alguém desesperado.

Agora pegue tudo o que eu escrevi no primeiro parágrafo, amasse e jogue no lixo. Jogos? Quem precisa deles? Em ambas as situações é necessário apenas uma coisa: ser você mesmo. Quer algo mais gostoso do que você usar uma situação que tende a ser estressante para um auto-descobrimento? Sente na mesa, respire fundo, e simplesmente fale. Não gosta de falar? Então pergunte. Ouça. Tenha reações espontâneas. Não calcule o número de palavras que você fala, não conte o número de risadas que você deu. Apenas seja você mesmo.

Hoje todo mundo gosta de fazer uma cena no primeiro encontro. Diz que lê vários livros enquanto não lembra do título do último que leu, diz que não gosta de encher a cara quando na verdade está com a maior ressaca do universo, diz que nunca ficou com mais de uma pessoa no mesmo dia enquanto no carnaval não lembra nem com quantos fez sexo.

Então o certo é falar na lata tudo isso ao conhecer a pessoa? HELL NO! O que eu estou dizendo é, seja uma pessoa que você é sem precisar passar os detalhes mais assustadores da sua vida (não diga que você não tem nenhum, pois hoje em dia todos têm algo a esconder). Eu, por um lado, sou um pouco diferente, como eu adoro falar e, principalmente, falar sobre mim, sempre acabo comentando coisas desnecessárias como já ter dado perda total em dois carros ou ter cortado o pulso quebrando uma janela no meio de um menage a trois. Mas este sou eu. Eu tento dar um ar polêmico e engraçado nessas histórias e, na maioria das vezes, da certo! Deixa elas mais leves e, no fim de cada uma eu destaco que aprendi algo com elas.

Ser um bom ouvinte: todos gostam de sentir que estão sendo ouvidos. Não existe uma pessoa nesse mundo que não goste de falar sobre ela mesma. Se você ouvir, entender, comentar e passar a ideia de que você está interessado, é um ponto positivo na certa! Dessa forma você aprende sobre a pessoa que você esta conhecendo, consegue fazer uma relação com suas experiências pessoais e, o mais importante, consegue ter uma ideia se há algum futuro ou não.

Ao final, um beijo não é necessário. Antes não beijar no primeiro encontro e nunca mais ver a pessoa do que beijar, adorar o beijo, e não ter um segundo encontro. Te garanto: se a pessoa gostou de você, ela irá ficar tão na vontade quanto e, ao chegar no segundo encontro, o primeiro beijo será ainda melhor.

Agora na real, não tente ver isso como um roteiro, e sim como algo para você mentalizar. Chegue e monte o SEU roteiro. Faça do SEU jeito. Porque se a pessoa for "the one", ela vai adorar você do jeito que você é. =)

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

A Tentação do Impossível

Criamos ficções porque, por meio delas, saímos do cárcere do real e vivemos as mil vidas que de outra forma não poderíamos viver. Ademais, ... , porque no ir e vir da ficção vemos as imperfeições do mundo real e se afina nossa consciência crítica, a ferramenta que impede que as sociedades se paralisem na resignação e na apatia. Aspirar ao impossível, como fazem Victor Hugo e, em maior ou menor grau, todos os grandes criadores de ficção, é um antídoto contra o conformismo e a indolência. Esta é a razão de ser do romance, esta é a razão pela qual há escritores – entre os quais Vargas Llosa – que põem todo seu empenho em se deixar tentar pelo impossível.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Angústia

As vezes não sei direito do motivo de eu postar meus pensamentos aqui. Acredito que seja uma forma de eu canalizar minhas emoções de uma forma que eu não as transmita de forma negativa. Aqui eu posso falar tudo. Aqui eu posso dizer tudo. Aqui eu posso ser eu. Aqui eu posso falar o quanto eu estou, nesse momento, transtornado com a situação de hoje. E fico bastante aflito por eu ter me afetado tanto assim. Obviamente existe uma parte de mim que detesta decepcionar e magoar os outros, sim. Mas uma outra parte é por eu ter deixado passar uma oportunidade hoje. Uma oportunidade que acho que vai dar em algo. Com uma pessoa que eu acho que vai dar em algo. E se não der por hoje eu ter perdido essa oportunidade, vou ficar bastante revoltado. E vou ficar revoltado por duas razões: primeiro pelo fato de que, se não rolar por causa de hoje não era pra ter rolado, e segundo porque eu sabia que hoje não daria, não seria legal, eu fiz a decisão certa de deixar passar, e as vezes as decisões certas são as que doem mais. E doeu. E essa dor, essa angústia, essa irritação que estou tendo agora, foi reforçada pela pessoa que talvez pudesse ter sido mais compreensiva. Claro que preciso ver o outro lado, já que essa pessoa criou expectativas e, eu no lugar dela, teria ficado bem chateado também. Queria que ela visse que foi difícil pra mim, que não foi fácil dizer 'não'. Queria poder rebobinar e arriscar e ver o que teria acontecido se eu tivesse ido. Não queria dormir com o saldo negativo do dia, pois o dia foi muito bom tirando isso, mas esse acontecimento teve um poder tão grande sobre mim, que conseguiu me derrubar. Eu me permiti ser derrubado, foi mais forte do que eu. Eu não quero deixar passar coisas que acho que vão ser boas pra mim, espero que ele tenha sido sincero quando disse.. "uma hora da certo", e espero que dê certo comigo..porque acho que a gente tem tudo a ver. É isso. Você parece ser um querido, e parece ser meigo, e determinado, e divertido, e doce, e honesto. Quero mostrar a você que também sou, espero que eu consiga uma chance. Não esqueça de mim no carnaval. Pois estarei pensando no que poderá vir a acontecer entre a gente.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Reflexão

Na fila do supermercado, o caixa diz uma senhora idosa:

- A senhora deveria trazer suas próprias sacolas para as compras, uma vez que sacos de plástico não são amigáveis com o ambiente.

A senhora pediu desculpas e disse:

- Não havia essa onda verde no meu tempo.

O empregado respondeu:

- Esse é exatamente o nosso problema hoje, minha senhora. Sua geração não se preocupou o suficiente com o nosso ambiente.

- Você está certo - responde a velha senhora - nossa geração não se preocupou adequadamente com o ambiente. Naquela época, as garrafas de leite, garrafas de refrigerante e cerveja eram devolvidos à loja. A loja mandava de volta para a fábrica, onde eram lavadas e esterilizadas antes de cada reuso, e eles, os fabricantes de bebidas, usavam as garrafas, umas tantas outras vezes.

Realmente não nos preocupamos com o ambiente no nosso tempo. Subíamos as escadas, porque não havia escadas rolantes nas lojas e nos escritórios. Caminhávamos até o comércio, ao invés de usar o nosso carro de 300 cavalos de potência a cada vez que precisamos ir a dois quarteirões.

Mas você está certo. Nós não nos preocupávamos com o ambiente. Até então, as fraldas de bebês eram lavadas, porque não havia fraldas descartáveis. Roupas secas: a secagem era feita por nós mesmos, não nestas máquinas bamboleantes de 220 volts. A energia solar e eólica é que realmente secavam nossas roupas. Os meninos pequenos usavam as roupas que tinham sido de seus irmãos mais velhos, e não roupas sempre novas.

Mas é verdade: não havia preocupação com o ambiente, naqueles dias. Naquela época só tínhamos somente uma TV ou rádio em casa, e não uma TV em cada quarto. E a TV tinha uma tela do tamanho de um lenço, não um telão do tamanho de um estádio; que depois será descartado como?

Na cozinha, tínhamos que bater tudo com as mãos porque não havia máquinas elétricas, que fazem tudo por nós. Quando embalávamos algo um pouco frágil para o correio, usamos jornal amassado para protegê-lo, não plastico bolha ou pellets de plástico que duram cinco séculos para começar a degradar. Naqueles tempos não se usava um motor a gasolina apenas para cortar a grama, era utilizado um cortador de grama que exigia músculos. O exercício era extraordinário, e não precisava ir a uma academia e usar esteiras que também funcionam a eletricidade.

Mas você tem razão: não havia naquela época preocupação com o ambiente. Bebíamos diretamente da fonte, quando estávamos com sede, em vez de usar copos plásticos e garrafas pet que agora lotam os oceanos. Canetas: recarregávamos com tinta umas tantas vezes ao invés de comprar uma outra. Abandonamos as navalhas, ao invés de jogar fora todos os aparelhos 'descartáveis' e poluentes só porque a lâmina ficou sem corte.

Na verdade, tivemos uma onda verde naquela época. Naqueles dias, as pessoas tomavam o bonde ou ônibus e os meninos iam em suas bicicletas ou a pé para a escola, ao invés de usar a mãe como um serviço de táxi 24 horas. Tínhamos só uma tomada em cada quarto, e não um quadro de tomadas em cada parede para alimentar uma dúzia de aparelhos. E nós não precisávamos de um GPS para receber sinais de satélites a milhas de distância no espaço, só para encontrar a pizzaria mais próxima.

Então, não é risível que a atual geração fale tanto em "meio ambiente", mas não quer abrir mão de nada e não pensa em viver um pouco como na minha época?

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

O Vento...

Hoje eu quereria estar entre as nuvens, na velocidade das nuvens, na sua fragilidade, na sua docilidade de ser e deixar ser. Livremente. Sem interesse próprio. Confiantes. A mercê da vida. Sem nenhum sonho de durarem um pouco mais, de ficarem no céu até o ano 2000, de terem emprego público, férias, abono de Natal, montepio, prêmio de loteria, discurso à beira do túmulo, nome em placa de rua, busto no jardim... (ô nuvens prodigiosas, criaturas efêmeras que estais tão alto e não pretendeis nada, e sois capazes de obscurecer o sol e de fazer frutificar a terra, e não tendes vaidade nenhuma nem apego a esses acasos!). Hoje eu quereria andar lá em cima nas nuvens, com as nuvens, pelas nuvens, para as nuvens...

Hoje eu quereria estar no deserto amarelo, sem beduíno, camelo ou rebanho de cabras: no puro deserto amarelo onde só reina o vento grandioso que leva tudo, que não precisa nem de água, nem de areia, nem de flor, nem de pedra, nem de gente. O vento solitário que vai para longe de mãos vazias.

Hoje eu quereria ser esse vento.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Desabafo

Cortado da minha lista pessoas que não sabem valorizar os outros, pessoas que fazem promessas e não se dão ao trabalho de cumprir. Passar pelo meu aniversário foi um divisor de águas, sinto que sei e vou valorizar quem merece. E quem não fez por merecer, não vai fazer falta. Antes com poucos e bons do que com muitos mais ou menos. Eu sou uma pessoa que vive por INTEIRO, não aceito metades.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Automotivação

O que faz você se motivar e não desistir de uma meta, mesmo diante das dificuldades? Desistiu da dieta só porque ganhou alguns gramas a mais na semana? Abriu mão de procurar um emprego novo pois o mercado está difícil? Aquela pessoa nega sair com você de primeira e você desiste? Você precisa de mais motivação! Motivação é uma daquelas palavrinhas mágicas superimportantes quando decidimos ou precisamos tomar uma atitude diferente. Representa aquele “empurrãozinho” extra para ir em direção ao nosso objetivo. Motivação para se inscrever na academia, começar uma dieta, procurar um emprego mais legal, cortar o cabelo bem curto, fazer a viagem dos sonhos ou até mesmo para seguir em frente depois de algum tombo ou dificuldade da vida.

“A motivação pode ser definida como energia que nos leva a responder a um desafio, é a mola que induz o ser humano a alguma ação”, conta o psicólogo Ricardo Monezi, pesquisador do Instituto de Medicina Comportamental da Unifesp. Em todos os aspectos da nossa vida, ser uma pessoa motivada faz a diferença na conquista de metas, desde as mais simples até as maiores, que parecem tão inatingíveis. E exercitar nossa capacidade de nos automotivarmos permanentemente deveria ser um hábito tão comum em nós quanto dar ‘bom dia’ quando chegamos ao trabalho. “Sem esse recurso, sempre que houver a necessidade de uma mudança de comportamento e a pessoa encontrar um obstáculo, ela volta ao antigo posicionamento de vida e desiste daquilo que queria”, explica Ana Raia, especialista em coaching, processo que desenvolve capacidades e habilidades para as pessoas alcançarem seus objetivos.
E com tantas adversidades que acontecem a todo momento, é muito fácil perder de vista nossa meta original, deixando-a soterrada debaixo de um sem-número de desculpas e afazeres. Vai, confessa: há quanto tempo você arruma mil e uma desculpas e adia um plano incrível pretextando falta de tempo, cansaço ou porque não se sente capaz de ir além?

“Perdemos a motivação porque esquecemos os motivos pelos quais estamos lutando por alguma coisa, somos influenciados por pensamentos pessimistas ou nos distraímos com outras prioridades”, diz Ana. A monja budista, Cohen Sensei, explica que o imediatismo dos dias de hoje também interfere na forma como orientamos nossas energias para buscar o novo: “Muitas pessoas querem resultados imediatos, temos ideias sobre a realidade e queremos que elas se encaixem em nosso cotidiano. Como nem sempre acontecem, desistimos. É preciso desenvolver paciência e persistência para ser motivado.” E também não vale usar a rotina como desculpa: “Não é difícil mudar hoje, mais do algum outro dia tenha sido, mudanças estão ocorrendo o tempo todo, desde sempre. Impossível é não mudar”, diz a monja Coen. Vale também exercitar a confiança, porque a automotivação se alimenta da nossa capacidade de desejar e de acreditar que é possível ir além. Afinal, não adianta alguém dizer todos os dias que somos capazes se nós mesmos não acreditarmos nisso! “A crença em si deve ser um exercício diário. É fundamental internalizar que somos aptos e fazer planejamentos bem definidos do que queremos para não pensar em desistir”, ensina Ricardo.
Uma boa forma de se acostumar a confiar em si mesmo é fazer listas das nossas vitórias e conquistas. Lembrar de cada vez que conseguimos superar alguma dificuldade ou atingir alguma meta, por menor que fosse, reforça nossa certeza de que vamos conseguir realizar nossos sonhos também no futuro.
“Nosso DNA quer sobreviver, gosta da vida. O primeiro passo é começar a ver o quadro maior, sair do nosso ‘eu pequenininho’ e entrar no grande. Devemos partir de nós e ir em direção ao universo que nos cerca”, explica Monja Cohen.

Criar cenários é um exercício que todos os coachings recomendam. A motivação se fortalece com quadros claros e representações visuais daquilo que queremos alcançar. No processo de criar cenários, a gente vai adquirindo cada vez maior clareza do que está buscando, dos ganhos que teremos e do porquê desejamos determinada coisa. Por exemplo: se você quer comprar uma casa, imagine exatamente como ela será, o tamanho, a cor da fachada, o bairro, número de quartos, os tipos de móveis, quem vai morar ali com você, detalhe as razões pelas quais essa nova casa é melhor que a atual... Quanto mais detalhes melhor.

Criar essas descrições detalhadas do que queremos realizar também nos ajuda a superar os medos que eventualmente vão aparecer no meio do caminho. Funciona mais ou menos assim: quanto mais detalhada sua meta estiver, mais ancorada na realidade ela será.

Os detalhes conduzem naturalmente à descrição das ações necessárias para realizar seu sonho. Por exemplo, no detalhamento que você fez da casa dos seus sonhos, lá em cima, precisa constar que a prestação não pode comprometer mais do que 10% do seu salário. Descrevendo seu sonho com esse nível de detalhe você impede que ele seja envolvido por ideias fantasiosas, como “vou comprar uma mansão de muitos milhões”. Assim, na hora que bater aquele medo de “não vou conseguir” fica fácil de alimentar a automotivação dizendo para si mesmo: “vou conseguir sim porque a casa dos meus sonhos só vai comprometer 10% do que eu ganho e eu acabei de receber um elogio do meu chefe o que quer dizer que ele está satisfeito com meu trabalho e, portanto, as chances de eu perder meu emprego agora são mínimas”.

Uma motivação invencível exercitando nossa capacidade de enxergar nossos sonhos e construindo, a cada dia, as ações que vão torná-los realidade.