terça-feira, 30 de agosto de 2011

O caçador de borboletas

Correr atrás de borboletas 

(Mário Quintana) 


"Com o tempo, você vai percebendo que para ser feliz com uma outra pessoa, você precisa, em primeiro lugar, não precisar dela. Percebe também que aquele cara que você ama (ou acha que ama) e que não quer nada com você, definitivamente, não é o homem da sua vida. Você aprende a gostar de você, a cuidar de você e, principalmente, a gostar de quem também gosta de você. O segredo é não correr atrás das borboletas...é cuidar do jardim para que elas venham até você. No final das contas, você vai achar, não quem você estava procurando, mas quem estava procurando por você!"






Pois é Mário Quintana.. eu diria que há um problema nessa sua, vamos chamar, "receita para encontrar a auto-estima através da auto-suficiência". Sem dúvida, o que você passa faz muito sentido. Atingir essa completude seria brilhante para qualquer pessoa (principalmente aquelas que estão sofrendo por um amor impossível ou perdido), mas.. será realmente que é tão fácil assim? Cuidar da nossa vida, cuidar da gente, nos amar, simplesmente esquecer os outros (ou o outro), é tão automático assim? Outro dia li em um texto que precisamos encontrar o nosso "brilho", e, ao encontra-lo, tudo ficaria mais fácil, mais simples e mais espontâneo. Onde estará o brilho singular de cada um de nós? Em que lugar ele se esconde tanto de tantos? É tão difícil nos bastarmos. Principalmente em momentos de carência onde o nosso grande amor não é correspondido. Mas de novo, como diz no poema, será esta pessoa pela qual sofremos tanto é, de fato, o nosso grande amor? Dizem que quando é, a gente sabe. Será que, no fundo, no fundo, realmente sabemos? Pense bem, o que diabos a gente realmente sabe? Nada... "quanto mais eu sei, mais se que nada sei.." Será que existem grandes amores? Amores verdadeiros? Será que, um dia, aquele que tanto corre atrás de nós e nos quer, será tão interessante quanto aquela borboleta voando leve e solta sem se importar com os demais? Será que ser um caçador de borboletas é tão errado assim? Em outros momentos da minha vida eu diria que não, que é importante ir atrás do que você realmente quer, fazer acontecer as coisas na sua vida. Mas hoje eu penso um pouco diferente, aquilo que é seu, que pertence a você ou que é designado para fazer parte da sua vida, não precisa de tanta dificuldade, tantos obstáculos, tanta luta, tanto sofrimento. Aquela pessoa que é para ser nossa, não deveria ser uma borboleta, e sim uma lagosta. Calma! Eu não fiquei louco! Só estou levando em consideração o que uma vez a personagem Pheobe disse no seriado "Friends": as lagostas quando acham seu par perfeito, ficam para sempre. Então eu hoje penso em não encontra-lo logo, mas sim cuidar bastante de mim, e me bastar o suficiente para que, quando eu encontrar a pessoa certa, eu não precise dela. Eu quero alguém que some algo em mim, e não me complete. Eu quero me sentir completo! Então mãos a obra pois, ao encontrar minha lagosta, eu quero que ela faça parte da minha vida para sempre.  =) Boa noite gente, vamos parar de caçar borboletas e cuidar do nosso aquário, vai que a nossa lagosta passa por perto antes do que a gente imagina... rs


E.C.P

terça-feira, 23 de agosto de 2011

A Sociedade do Parecer


Hoje em dia podemos perceber como é priorizado o "como nos veem" ao "como nos sentimos", eu penso que atualmente é preciso ser muito mais valente do que foi necessário em outros tempos, não em tempos muito passados, quando as convenções sociais também eram muito opressoras, mas em tempos mais recentes, talvez 20 ou 30 anos atrás, quando nós já tínhamos certa liberdade porém o culto à imagem e ao "parecer" não era tão obsessivo e, por vezes tão necessário, quanto nos tempos atuais. 

Todos sempre falam sobre isso hoje em dia, que o importante não é nem "ser" ou "ter", mas parecer que tem ou parecer que é. Parecer que sabe de tudo que está em seu currículo para te garantir uma vaga. Parecer que esta feliz numa festa para te garantir status e glamour. Parecer que é rico em seu circulo social para te garantir convites em eventos e viagens. Parecer, parecer, parecer. Dentro dessa confusão (ou até inversão) de valores, acabamos por perder talvez a melhor parte de sermos humanos: a de evoluir, melhorar, conquistar de verdade aquilo que tanto almejamos e acreditamos que é importante. Estar triste? Falhar? Ser ignorante em algum assunto? Todas essas coisas são incrivelmente comuns, porém na Sociedade do Parecer, tudo isso é um pecado inadmissível. Não parecer "perfeito" e "encaixável" tornou-se o maior medo desse conjunto de pessoas tomadas pela carência e pela insegurança. 

De onde surgiu toda essa perda de identidade vivenciada atualmente? Charlie Kaufman uma vez disse que "you are what you love, not what loves you", talvez o conceito por trás dessa citação precise ser lembrado pelos viciados nas famosas redes sociais. Talvez sermos nós mesmos seja muito mais digno do que ser o que nós achamos que os outros querem (ou invejem) que a gente seja. Pode "parecer" assustador e até um pouco confuso, mas é a forma mais segura e bem resolvida de seguir seus passos no dia a dia. Minha filosofia de vida tem sido um tanto quanto reformulada nos últimos tempos. Aqueles que pensam demais, acabam se tornando intelectualmente, filosoficamente e fisicamente atrasados em relação aos que realmente sentem, vivem, choram, falam, sofrem, SÃO. Tudo acaba girando em volta do que "os outros vão pensar". Não pense em parecer algo que você não é, não tema ser algo que você é, não esconda algo que você está sentindo e acha importante abrir para o mundo, não lute contra o que está vivo pulsando dentro de você.

A nossa valentia se alimenta de verdadeiros valores, da vontade de ser melhor, do sonho que nos une à mesma força que guia as estrelas. Se não acreditamos em algo, simplesmente não vamos enxergar! Não se cegue, principalmente quando o assunto principal for você! Aqueles que passam a vida tentando parecer, acabam por não se tornarem nada, apenas uma sombra de algo que seria realmente sensacional se fosse verdade.

E.C.P.

domingo, 21 de agosto de 2011

Carta que não foi entregue


A frequência que eu penso em você, é irritantemente frenética. Simplesmente não sei mais o que fazer. Te ter não é uma opção, mas te esquecer está impossível. Não ter contato com você, é dolorido pois morro de saudades e ainda por cima não te esqueço. Então vou tentar agora ter. Queria uma outra oportunidade de te fazer feliz. Queria uma outra chance para fazer as coisas certas. Sabe quando a gente tem aquele sentimento de que nunca ninguém vai amar tanto aquela pessoa como nós? Eu sinto isso por você. Eu sinto uma saudade imensa do seu cheiro, do seu abraço, do seu sorriso, do seu jeito. Me somam todas as dores: a dor de ter te perdido, a dor da saudade, a dor do amor. Eu queria poder voltar no tempo e mudar tudo. Deixar tudo de um jeito para que nós dessemos certo. Eu nunca senti isso por ninguém, e só eu sei disso. Ninguém mais sabe, ninguém acredita, ninguém põe fé. E nem você. Se você fizesse ideia de 1% do que eu sinto por ti, você iria conseguir confiar no meu amor, em mim, na gente. Entra nesse barco comigo? Volte a construir nosso castelo de areia. Eu nesse momento te envio um sinal, pra você talvez se dar a chance de perceber o quanto a gente pode ser feliz juntos. Eu não sei mais o que fazer. Só sei que comecei a amar você, e infelizmente ou felizmente, nunca mais parei. Hoje li que ‎"It's never too late to be what you might have been."..bom, se nunca é tarde para ser o que você poderia ter sido, não é tarde para eu conseguir ser alguém que daria certo contigo, que seria melhor, que não passaria a perna em você, da forma como passei.

Quem me dera ter a coragem de escrever tudo isso pra você, porém infelizmente eu não tenho, você nunca vai saber, nunca vai imaginar, nunca terá ideia, do quanto eu ainda sofro por nós dois... Por tudo o que eu fiz de errado, e por tudo o que eu enxerguei desmoronar e nada fiz para salvar.


Te amo, hoje e sempre. 


E.C.P.



segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Sem café, sem sexo, sem nada.

Há aqueles dias em que "the world is falling apart". Eu diria que nesses dias nem nossa bebida predileta iria salvar o nosso humor. Nem a nossa companhia perfeita iria erguer nosso ânimo. Nada. Não sei para onde ir. E nem se há algum lugar para ir. Porém ficar aqui, não da mais. Hoje vou ser breve. Hoje estou breve. Brevemente exausto de toda essa novela que não tem um final. Não vejo um final. Não enxergo o terceiro ato. Hoje não acredito em um final feliz. Erga-se! Tudo passa nessa vida, por mais inevitável e óbvia que seja a derrota. Eu hoje perdi, mas amanhã, gostaria de ganhar.

E.C.P.

domingo, 14 de agosto de 2011

Se apaixonar

Ele é um cara romântico. Mas hoje algo o impede. O impede de sentir o que ele sempre fugiu de sentir, o impede de ser o que ele sempre fugiu de ser. Hoje ele aceita sua condição de romântico. Ele olha para o passado, para o presente, e consegue imaginar o futuro. Ele imagina o amor perfeito. A sua alma gêmea que ainda não lhe foi apresentada. Mas algo impossibilita-o de colocar em prática toda a sua vulnerabilidade. Alguma coisa dentro dele torna-o difícil. Deixa-o complexo. Complicado. O faz ser duro com si mesmo e com todos aqueles que estão a sua volta.

Seu primeiro relacionamento foi o momento onde ele mais se entregou, foi quando ele vestiu a fantasia de “perfeito romântico”. Fazia presentes, escrevia cartas, se dedicava. Imaginava como seriam seus filhos, sua casa, sua relação, seu futuro. Olhava para os seus olhos e era possível enxergar todo o resto de suas vidas. Porém algo estava errado, faltava algo, não na relação, e sim nele. Ele fugiu disso. Tentou escapar, mas não conseguiu. Viu que era inevitável. A nossa cabeça funciona de uma forma única. Essa é talvez a característica mais marcante dos seres humanos. Eles são específicos. E ele viu que ele era diferente, diferente dos outros caras numa forma específica. Ele precisava de algo que nela ele não via. Ele precisava de algo que nela ele não havia encontrado. Sua imaginação o levou a acreditar que, admitindo pra si mesmo e para os mais próximos sua situação, ele iria melhorar, e todos os seus problemas iriam se resolver. Poderia ser difícil, mas era necessário. Era fundamental para sua plenitude. Era fundamental para chegar o mais perto possível da normalidade. Porém, quanto mais ele tentava se encontrar, mais perdido ele ficava.

Ele tinha tudo: emprego, amigos, carro, respeito e confiança dos que ele mais amava. Ele foi perdendo um a um em meio a relacionamentos efêmeros onde ele imaginava que talvez fossem chegar a algum lugar. Mas não chegaram. Só o levou onde ele se encontra hoje, porém sem os artifícios de uma pessoa digna de respeito.

Teve aquele que o lembrava alguém da sua infância, talvez um amor perdido. Talvez alguém que um dia ele quis, mas não pode ter. Encantou-se, achou que este era o protótipo de relacionamento perfeito para ele, porém ele acabou por não se apaixonar. Errou ao se relacionar, errou ao tentar se entregar, o fez por carência. Por falta de carinho, por falta de alguém. O fez só para ter alguém para chamar de seu.

Outros vieram depois, cada um com sua característica especifica que chamava sua atenção. Mas nenhum seria igual e o faria ficar de joelhos igual aquele. Ah, aquele. Ele que tinha um jeito único. Que em meio a uma balada, quase derramou bebida em sua camiseta. Aquele que, de tão original, no final seria o mais mascarado de todos. Aquele que o acaso trouxe em sua vida. Aquele que o encantou e, instantes depois, era tudo o que ele sempre havia procurado. Foi por acaso, talvez não fosse para ter acontecido, talvez conhecê-lo tenha sido um dos maiores atrasos da sua existência. Mas ele se apaixonou, e ele quis absorver isso. Absorver tudo o que ele achava que havia de melhor. De mais útil. Porém, ainda sim faltava algo. Mas dessa vez não era nele. Era na relação. E foi então que ele percebeu que toda essa aceitação sobre si mesmo, nunca foi o real problema. O problema não estava em sua característica chave onde todos diziam que estava. O problema era mais profundo. Era mais complexo. Era menos superficial que uma simples aceitação. O relacionamento foi se desgastando, não foi possível para nenhum deles suportar. Acabou da pior forma. De forma a quase destruí-lo. De quase fazê-lo perder o chão. De, por um momento, ele acreditar que amor verdadeiro não existia. Ele quase não suportou. Deu alguns passos para trás, estagnou por alguns instantes, mas eventualmente voltou aos trilhos.

Conheceu alguns outros que fizeram seu batimento acelerar. Porém nenhum se equiparava aquele que um dia ele chamou de “meu amor”. Chegou a forçar sentimento. Forçar relacionamentos. Chegou também a perder a fé de tal forma a realmente acreditar que ele nunca deixara de amar aquele por quem havia se apaixonado. Foi então que, assim sem mais nem menos, ele enxergou uma pessoa que sempre estava por perto, outro que havia sido parte de uma traição que ele cometera em seu namoro. Um ser complexo, diferente, interessante, intrigante. Que, eventualmente aparecera após seu termino, mas que ele na hora não havia dado tanta atenção. E agora, vendo a situação com outros olhos, ele estaria pronto para se entregar completamente a outra pessoa, alguém que ele conhecia pouco, porém sabia muito. Alguém que ele havia interagido muito, porém conversado pouco, alguém de poucas palavras, mas de atitudes marcantes. Mas a pergunta ainda permanece: como agir com alguém que ele não faz ideia de como se relacionar? Como se aproximar do impenetrável? Esse desafio o instiga. Essa nova velha figura o intriga. E agora só havia um pensamento em sua cabeça: como conseguir de verdade algo que você nunca imaginou que fosse realmente querer?

E.C.P.