segunda-feira, 18 de julho de 2011

A vida tem que continuar

Eu desapareci da minha história real. Estou vivendo outros contos, outras realidades, outras versões de mim mesmo. Nesses mundos se misturam o real, o que eu gostaria de estar vivendo, aquele que eu temo viver e o conto de fadas. O resultado disso é muito confuso. Às vezes me dou à chance de viver o que eu realmente gostaria de estar vivendo, porém eu temo alegria. Eu temo sentir nada além de satisfação, eu temo a história perfeita. Eu temo. Acho que não mereço. Sinto que eu não mereço. Procuro problemas, defeitos, e assim faço minhas auto-sabotagens. Assim como Clarice Lispector um dia sentiu, “Ando de um lado para outro, dentro de mim”. Vivo várias histórias ao mesmo tempo. Vários personagens. Eu preciso me desligar e colocar os pés no chão. Eu preciso parar de vestir as fantasias que existem na minha imaginação. Preciso enfrentar a realidade e suas armadilhas. Eu fiz as armadilhas. Eu sou a armadilha. Ao me desarmar, quando aparecer algo que temo, não vou temer; ao me desarmar, quando aparecer algo que amo, vou amar. Preciso me convencer de que não existe o conto de fadas, mas que existem sim a mágica, o amor, e aquelas pequenas coisas que fazem toda a diferença no nosso dia-a-dia, tornando-o o presente insubstituível. Não existem arquétipos estruturados de acordo com a minha vontade. Não existem robôs. Preciso me soltar ao vento da realidade e sentir a brisa bater forte no meu rosto. Sem essa decisão, a sabotagem vai continuar. Sem essa decisão, nunca vou exceder a expectativa. Os amores não vão deixar de virarem lembrança. As pessoas não vão deixar de se afastarem. E, por fim, o show não vai continuar.

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