sexta-feira, 25 de maio de 2012

Amizade a conta-gotas

Psicóloga e pesquisadora do MIT diz que os contatos curtos, rápidos e utilitários por mensagens de texto e redes sociais, como o Facebook, estão substituindo conversas de verdade

Por Sherry Turkle*

The New York Times

Vivemos num universo tecnológico no qual estamos sempre nos comunicando. Mas parece que estamos sacrificando a conversa plena em nome de uma mera conexão.

Em casa, as famílias se sentam juntas e ao mesmo tempo mandam mensagens de texto e leem e-mails. No trabalho, executivos trocam SMS no meio das reuniões. Enviamos mensagens (além de fazer compras e atualizar o Facebook) durante as aulas e até encontros românticos. Meus alunos me contaram sobre uma nova habilidade: olhar nos olhos da pessoa enquanto digitamos uma mensagem no celular para outra; é difícil, mas não impossível.

Nos últimos 15 anos, estudei tecnologias móveis e conversei com centenas de pessoas sobre suas vidas plugadas. Aprendi que os pequenos aparelhos que carregamos são tão poderosos a ponto de mudarem não apenas o que fazemos, mas quem somos.

Nós nos acostumamos a uma nova situação: estar “juntos sozinhos”. Munidos da tecnologia, podemos estar em contato com qualquer um, em qualquer lugar, conectados ao ambiente que desejarmos. Queremos personalizar nossas vidas. Queremos entrar e sair de onde quer que estejamos. E com isso, nos acostumamos a estar em uma tribo de uma pessoa só, leais ao nosso próprio partido.

Colegas de trabalho querem participar das reuniões, mas só prestam atenção no que lhes interessa. Para alguns, é uma boa ideia, mas é possível que acabemos nos escondendo, mesmo constantemente conectados.

Um empresário lamenta que não tem mais colegas no trabalho. Ele não faz pausas para conversas casuais. Diz que não quer interromper. Todos estão “ocupados demais respondendo e-mails”, diz. Mas ele se corrige. “Não é verdade. Sou eu que não quero ser interrompido. Acho que eu deveria fazer diferente, mas prefiro resolver as coisas pelo BlackBerry.”

Um adolescente de 16 anos que recorre às mensagens de texto para praticamente tudo diz, com certa melancolia: “Um dia, algum dia, gostaria de aprender a manter uma conversa de verdade – mas não hoje”.

Bolha. No ambiente de trabalho contemporâneo, jovens que cresceram com medo de conversar chegam para trabalhar usando fones de ouvido. Ao passear pela biblioteca de uma universidade ou pelo escritório de uma empresa de tecnologia, vemos a mesma cena: estamos juntos, mas cada um ocupa sua bolha, digitando furiosamente em teclados e telas sensíveis.

Um sócio sênior de um escritório de advocacia de Boston (EUA) descreve a situação no seu trabalho. Jovens advogados depositam seu arsenal tecnológico sobre a mesa: laptops, iPods e numerosos celulares. E então eles põem os fones nos ouvidos. “Fones imensos, como os de pilotos. Eles transformam suas mesas em cabines de avião.” Assim, o escritório fica em silêncio, uma calma que não é quebrada.

No silêncio da conexão, as pessoas se confortam com a ideia de estar em contato com um grande número de pessoas – cuidadosamente mantidas à distância. Mas não é possível ter uma relação boa se usarmos a tecnologia para nos manter separados por distâncias controladas: nem perto demais, nem longe demais, no ponto certo.

Mensagens de texto, e-mails e atualizações de status permitem que mostremos o “eu” que desejamos ser. Isto significa que podemos editar. E, se quisermos, podemos deletar. Ou retocar: a voz, a carne, o rosto, o corpo. Nem muito, nem pouco – na medida certa.

Os relacionamentos humanos são ricos, caóticos e exigem muito de nós. Com a tecnologia, adquirimos o hábito de organizá-los melhor. E a mudança da conversa para a simples conexão faz parte deste fenômeno. Mas, neste processo, estamos nos enganando. Pior ainda, parece que, com o tempo, paramos de nos importar, esquecendo que há uma diferença entre as duas formas de relacionamento.

Pouco a pouco. Somos tentados a pensar que nossas pequenas “gotas” de conexão online equivalem a um grande gole de conversa. Mas não é verdade. E-mail, Twitter, Facebook, todos têm seu lugar – na política, no comércio, no romance e na amizade. Mas, por mais valiosos, não devem ser considerados substitutos de uma conversa.

Conectar-se em pequenas gotas funciona quando precisamos de informações específicas, ou para dizer “Estou pensando em você”. Ou até para dizer “Eu te amo”. Mas conectar-se em pequenas gotas não dá tão certo quando queremos conhecer e compreender um ao outro. Nas conversas, damos atenção ao próximo. Podemos reparar no tom de voz, nas nuances. Somos levados a ver as coisas do ponto de vista de uma outra pessoa.

As conversas cara a cara se desenrolam lentamente. Elas nos ensinam a paciência. Quando nos comunicamos por nossos aparelhos, desenvolvemos hábitos diferentes. Conforme aumentamos o volume e a velocidade das conexões online, começamos a exigir respostas mais rápidas. Para obtê-las, fazemos perguntas mais simples; reduzimos a sofisticação da comunicação, mesmo sobre temas importantes. Shakespeare diria: “Somos consumidos por aquilo que nos alimentou”.



Usamos as conversas para aprender a conversar com nós mesmos. Assim, nossa fuga delas pode diminuir a autorreflexão. Hoje em dia, as mídias sociais perguntam constantemente “No que você está pensando?”, mas temos pouca motivação para dizer algo que seja de fato fruto de uma reflexão pessoal. Refletir sobre nós mesmos exige confiança. Quando temos 3 mil amigos no Facebook, é difícil ter uma relação além do simples “conectar-se”.

Máquina-homem. Conforme nos acostumamos a esta conversa mais superficial, nos mostramos quase dispostos a dispensar as pessoas completamente. Pesquisadores pensam que, no futuro, programas de computador farão o papel de psiquiatras. Um aluno do ensino médio me confessou que preferiria conversar sobre garotas com uma inteligência artificial do que com o próprio pai. Ele diz que a I.A. teria mais informações. De fato, muitas pessoas me dizem esperar que a Siri, assistente digital do iPhone 4S, se torne cada vez mais uma melhor amiga: alguém que possa escutar quando ninguém mais se dispõe.

Durante os anos que dediquei à pesquisa do relacionamento das pessoas com a tecnologia, ouvi com frequência desabafos como “ninguém me dá ouvidos”. Acredito que este sentimento ajude a explicar por que desejamos tanto uma página no Facebook e uma conta no Twitter – elas nos proporcionam um grande número de ouvintes automaticamente. E também explica por que tantas pessoas se dispõem a conversar com máquinas que simulam o contato humano. Pesquisadores de todo o mundo têm inventado robôs sociáveis, projetados para fazer companhia a idosos, crianças, e todos nós.

Uma das experiências mais assombrosas da minha pesquisa aconteceu quando comprei um desses robôs, em forma de filhote de foca, para uma instituição que cuidava de idosos, e uma senhora começou a conversar com ele sobre a perda do seu filho. O robô parecia olhar nos olhos dela. Parecia acompanhar a conversa. Ela se sentiu confortada.

Muitas pessoas consideraram isto incrível. Este entusiasmo revela até que ponto confundimos conversa e conexão, e o quanto adotamos coletivamente um novo tipo de delírio em que aceitamos a simulação da compaixão como substituto. Que motivo teríamos para conversar sobre amores e perdas com uma máquina sem quaisquer vivências no leque de possibilidades da vida?

Solução fácil. Esperamos mais da tecnologia e menos um do outro, e parecemos cada vez mais atraídos pelas tecnologias que proporcionem a ilusão de companhia sem as exigências do relacionamento. Dispositivos que estão sempre conectados e sempre conosco induzem a crer em três fantasias poderosas: a ideia de que sempre seremos ouvidos; que podemos concentrar nossa atenção no que bem entender; e que nunca teremos de ficar sozinhos. De fato, nossos dispositivos transformaram o “estar sozinho” num problema que pode ser solucionado.

Quando as pessoas ficam sozinhas, ainda que por instantes, logo procuram um aparelho no bolso. Neste caso o nosso impulso constante (quase um reflexo) molda uma nova maneira de ser.

Pense nisto como “Compartilho, logo existo”. Usamos a tecnologia para definir a nós mesmos com os pensamentos e sentimentos que compartilhamos exatamente na hora que os vivenciamos. Costumávamos pensar “Sinto alguma coisa; quero ligar para alguém”. Agora, nosso impulso é “Quero sentir alguma coisa; preciso enviar um texto”.

Assim, para sentir mais, e nos sentirmos mais donos da própria personalidade, nós nos conectamos. Mas, em nossa busca apressada pela conexão, fugimos da solidão, da nossa capacidade de nos separar da multidão e organizar o próprio indivíduo. Sem capacidade de suportar a solidão, nos voltamos para outras pessoas, sem no entanto vivenciá-las como realmente são. É como se as usássemos, como se precisássemos delas como peças capazes de sustentar nosso ser, cada vez mais frágil.

Achamos que a conexão constante nos fará menos sozinhos. Mas o contrário é verdadeiro. Se não formos capazes de ficar sozinhos, é muito maior a probabilidade de nos sentirmos solitários. Se não ensinarmos nossos filhos a ficar sozinhos, eles não aprenderão a suportar a solidão.

Sou uma defensora da conversa. Para abrir mais espaço para ela, considero necessários alguns passos fundamentais. Em casa, podemos criar espaços sagrados: a cozinha, a sala de jantar. Podemos transformar nossos carros em “zonas de exclusão”. Podemos mostrar o valor da conversa aos filhos. E fazer o mesmo no trabalho. No ambiente profissional, estamos sempre tão ocupados nos comunicando que falta tempo para conversar sobre o que realmente importa.

Hoje há as sextas-feiras casuais; talvez os administradores devam pensar em criar as quintas-feiras de conversa. Acima de tudo, precisamos lembrar – entre mensagens de textos, e-mails e atualizações do Facebook – de ouvir uns aos outros. É nos momentos sem edição, nos momentos em que hesitamos, quando gaguejamos e ficamos em silêncio, que revelamos nosso “eu” aos outros.

Eu costumava passar os verões num chalé na baía de Cape Cod, perto de Boston, e, durante décadas, caminhei pelas mesmas dunas que Thoreau um dia percorreu. Não faz muito tempo, as pessoas costumavam caminhar com a cabeça erguida, olhando para a água, para o céu, para a areia e umas para as outras, conversando. Agora, com frequência caminham olhando para baixo, digitando. Mesmo quando estão acompanhadas de amigos, namorados, crianças, todos estão mexendo nos seus dispositivos.

Então, recomendo que ergamos o rosto, que olhemos uns para os outros e comecemos a conversar.

/Tradução de Augusto Calil

*É psicóloga, professora do MIT e autora de Alone Together

terça-feira, 8 de maio de 2012

O Valor dos Pais

Um jovem de nível acadêmico excelente, candidatou-se à posição de
gerente de uma grande empresa.

Passou a primeira entrevista e o diretor fez a última, tomando a última decisão.

O diretor descobriu, através do currículo, que as suas realizações
acadêmicas eram excelentes em todo o percurso, desde o secundário até
à pesquisa da pós-graduação e não havia um ano em que não tivesse
pontuado com nota máxima.

O diretor perguntou, "Tiveste alguma bolsa na escola?"

O jovem respondeu, "nenhuma".

O diretor perguntou, "Foi seu pai quem pagou as suas mensalidades ?" o
jovem respondeu, "O meu pai faleceu quando eu tinha apenas um ano, foi
a minha mãe quem pagou as minhas mensalidades."

O diretor perguntou, "Onde trabalha a sua mãe?" - e o jovem respondeu:
"A minha mãe lava roupa."

O diretor pediu que o jovem lhe mostrasse as suas mãos. O jovem
mostrou um par de mãos macias e perfeitas.

O diretor perguntou, "Alguma vez ajudou sua mãe lavar as roupas?" - o
jovem respondeu: "Nunca, a minha mãe sempre quis que eu estudasse e
lesse mais livros. Além disso, a minha mãe lava a roupa mais depressa
do que eu."

O diretor disse, "Eu tenho um pedido. Hoje, quando voltar, vá e limpe
as mãos da sua mãe e depois venha ver-me amanhã de manhã."

O jovem sentiu que a hipótese de obter o emprego era alta. Quando
chegou em casa, pediu, feliz, à mãe que o deixasse limpar as suas
mãos. A mãe achou estranho, estava feliz, mas com um misto de
sentimentos e mostrou as suas mãos ao filho.

O jovem limpou lentamente as mãos da mãe. Uma lágrima escorreu-lhe
enquanto o fazia. Era a primeira vez que reparava que as mãos da mãe
estavam muito enrugadas e havia demasiadas contusões nas suas mãos.
Algumas eram tão dolorosas que a mãe se queixava quando limpava com
água.

Esta era a primeira vez que o jovem percebia que este par de mãos que
lavavam roupa todo o dia tinham-lhe pago as mensalidades. As contusões
nas mãos da mãe eram o preço a pagar pela sua graduação, excelência
acadêmica e o seu futuro.
Após acabar de limpar as mãos da mãe, o jovem silenciosamente lavou as
restantes roupas pela sua mãe.

Nessa noite, mãe e filho falaram por um longo tempo.

Na manhã seguinte, o jovem foi ao gabinete do diretor.

O diretor percebeu as lágrimas nos olhos do jovem e perguntou,
"Diz-me, o que fez e que aprendeu ontem em sua casa?"

O jovem respondeu, "Eu limpei as mãos da minha mãe e ainda acabei de
lavar as roupas que sobraram."

O diretor pediu, "Por favor, diz-me o que sentiu."

O jovem disse "Primeiro, agora sei o que é dar valor. Sem a minha mãe,
não haveria um eu com sucesso hoje. Segundo, ao trabalhar e ajudar a
minha mãe, só agora percebi a dificuldade e dureza que é ter algo
pronto. Em terceiro, agora aprecio a importância e valor de uma
relação familiar."

O diretor disse, "Isto é o que eu procuro para um gerente. Eu quero
recrutar alguém que saiba apreciar a ajuda dos outros, uma pessoa que
conheça o sofrimento dos outros para terem as coisas feitas e uma
pessoa que não coloque o dinheiro como o seu único objetivo na vida.
Está contratado."

Mais tarde, este jovem trabalhou arduamente e recebeu o respeito dos
seus subordinados. Todos os empregados trabalhavam diligentemente e
como equipe. O desempenho da empresa melhorou tremendamente.

Uma criança que foi protegida e teve habitualmente tudo o que quis se
desenvolverá mentalmente e sempre se colocará em primeiro. Ignorarará
os esforços dos seus pais e quando começar a trabalhar, assumirá que
todas as pessoas o devem ouvir e quando se tornar gerente, nunca
saberá o sofrimento dos seus empregados e sempre culpará os outros.
Para este tipo de pessoas, que podem ser boas academicamente, podem
ser bem sucedidas por um tempo, mas eventualmente não sentirão a
sensação de objetivo atingido. Irão resmungar, estar cheios de ódio e
lutar por mais.

Se somos esse tipo de pais, estamos realmente a mostrar amor ou
estamos a destruir o nosso filho?

Pode-se deixar seu filho viver numa grande casa, comer boas refeições,
aprender piano e ver televisão num grande TV em plasma. Mas quando
cortar a grama, por favor, deixe-o experienciar isso. Depois da
refeição, deixe-o lavar o seu prato juntamente com os seus irmãos e
irmãs. Deixe-o guardar seus brinquedos e arrumar sua própria cama.
Isto não é porque não tem dinheiro para contratar uma empregada, mas
porque o quer é amar e ensinar como deve de ser. Quer que ele entenda
que não interessa o quão ricos os seus pais são, pois um dia ele irá
envelhecer, tal como a mãe daquele jovem. A coisa mais importante que
os seus filhos devem entender é a apreciar o esforço e experiência da
dificuldade e aprendizagem da habilidade de trabalhar com os outros
para fazer as coisas.

Quais são as pessoas que ficaram com mãos enrugadas por mim?

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Brighter than the sun :)

Oh, this is how it starts
Lightning strikes the heart
It goes off like a gun
Brighter than the sun

Stop me on the corner
I swear you hit me like a vision
I, I, I wasn't expecting
But who am I to tell fate where it's supposed to go with it?
Don't you blink you might miss it
See we got a right to just love it or leave it
You find it and keep it
Cause it ain't every day you get the chance to say

Oh, this is how it starts
Lightning strikes the heart
It goes off like a gun
Brighter than the sun
Oh, it could be the stars
Falling from the sky
Shining how we want
Brighter than the sun

I never seen it,
I found this love I'm undefeated
You better believe, I'm gonna treat it
Better than anything I've ever had
Cause you're so damn beautiful read it
It's time and deliver it let's seal it
Boy we go together like peanuts and paydays
And Marley and reggae
And everybody needs to get a chance to say

Oh, this is how it starts
Lightning strikes the heart
It goes off like a gun
Brighter than the sun
Oh, it could be the stars
Falling from the sky
Shining how we want
Brighter than the sun

Everything is like a white out
Cause we shook a, shook a shine down
Even when, when the light's out
But I can see you glow
Got my head up in the rafters
Got me happy ever after
Never felt this way before
Ain't felt this way before

Oh, this is how it starts
Lightning strikes the heart
It goes off like a gun
Brighter than the sun