sexta-feira, 29 de julho de 2011

Um pouco comigo mesmo..

As relações são frágeis. Essa é o pensamento do dia. As pessoas se vão. É como se fosse uma horta. Se não regarmos corretamente, ela morre. Apodrece. As pessoas são assim: elas se afastam. Elas mudam. Todos nós mudamos. E se não mudamos juntos, o tempo se encarrega de colocar cada um em uma trilha diferente. O que isso significa? Significa que nós tendemos a nos aproximar daqueles que são semelhantes a nós? Eu acho que não. Acho que é necessário um esforço. Esforço de cada um para cultivar os relacionamentos. Quando o esforço vem de apenas uma das partes, o laço vai se quebrando. Se rompendo. Até que, finalmente, ele se quebra por completo. Agora vem a questão, aqueles que não se esforçam, valem à pena? Vale a pena convencê-los de que o sentimento que existe precisa ser cultivado? É triste pensar que no meio do caminho, acabamos perdendo pessoas que a gente gosta. Seja por afastamento, seja por brigas, por decepções, ou pela vida mesmo. Gostaria de colocar num pote todas as lembranças boas, e em outro todas as lembranças ruins. Dessa forma poderia só olhar para o pote das boas, e se a saudade doer muito, usar o pote das ruins. A verdade é que nessa vida, a única pessoa que temos certeza absoluta que podemos contar sempre, somos nós mesmos. Tem que estar no número um da lista. Se a prioridade está diferente, viramos dependente de pessoas que, querendo ou não, correm o risco de desaparecer no meio do tempo. E assim, vamos nos sentir sozinhos. O ser humano é sozinho. Ele nasceu só e vai morrer só. Estarmos satisfeitos com nossa própria companhia é um treino necessário. E um aprendizado inevitável. Se não conseguirmos, nos tornamos frágeis, ainda mais frágeis que as relações que nos cercam que tanto valorizamos. Sim. Hoje estou pessimista ao olhar de uns, e realista ao olhar de outros. Até logo, agora vou ficar um pouco comigo mesmo...


E.C.P.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Apego é o oposto de desapego?

Ela tinha cabelos ondulados bem compridos de cor semelhante ao mel. Sempre usava salto alto. Era sedutora. Olhar penetrante. Lembravam esmeraldas. A maioria dizia que seu jeito não era como o das outras mulheres. Seu riso parecia ser tão espontâneo quanto o seu jeito de ser. Seu cheiro não se assemelhava a nenhum perfume conhecido. Suas palavras eram sempre friamente calculadas para deixar qualquer um interessado em ser seu amigo, seu confidente, seu amante. Aqueles que não a amavam, invejavam seu conjunto aniquilador. Apaixonante é a palavra que a melhor definia.

Rosto angelical e alma de diabo ou rosto diabólico e alma de anjo? Ninguém ao certo poderia dizer. Ninguém ao certo saberia dizer. Ela não era apenas uma pessoa. Era várias. Talvez a baixa estima que tivesse feito isso. Talvez fosse o medo de se machucar. Poderia ser também a sede por diversão, por adrenalina, por perigo. Sua vontade era tanta de jogar que o jogo em si não importava mais, os participantes tão pouco. O que realmente importava era por em prática suas técnicas, suas estratégias, seu apelo, sua magia, sua maldade. Ninguém poderia imaginar que por trás de toda aquela segurança, vivia uma frágil menina. Uma menina que gostaria de ter mais fé nas pessoas, que gostaria de não ter que ferir primeiro porque temia ser ferida depois. Uma menina que gostaria de encontrar o seu príncipe encantado e ser feliz para sempre.

Foi então que aconteceu o imprevisível porém necessário: se apaixonar. Ela viu que não importava os saltos, não importava o cheiro, não importava o cabelo, não importava o jogo. O que realmente importava estava além do que seus olhos poderiam ver no espelho. Sua aparência poderia lhe trazer prazeres imediatos. Seu charme poderia lhe trazer pretendentes. Sua tática poderia lhe trazer a vitória. No entanto, a felicidade verdadeira estava além do que se poderia construir num só jogo. A felicidade verdadeira vem de algo mais demorado, mais longo, menos intenso, mais trabalhado. E apenas aqueles que amam quem realmente são, atingem esse patamar. Não era possível ser feliz jogando com os outros. Não era possível ser feliz jogando com ela mesma.

Foi então que a paixão veio pela pessoa em que ela menos acreditava. Foi, de repente, que a solução para toda a sua angustia foi encontrada. Foi então que ela descobriu o que estava em sua frente todo esse tempo: ela mesma. Ela sem as máscaras. Sem as roupas. Sem a maquiagem. Sem o salto. Sem as táticas. Sem o perfume. Sem o jogo. Ela que poderia ser não tão apaixonante, mas sim completamente apaixonada. Apaixonada pela vida, pelas pessoas, por si mesma. E foi assim que ela foi encontrando o caminho para ser feliz, aquele que é trilhado dia após dia. Semana após semana. Mês após mês. Ano após ano. Aquele que não é repleto de vitórias, mas, sem a menor dúvida, preenchido de satisfação.

Dizem que o oposto de guerra não é paz, é criação. Também falam que o contrário de amor não é raiva, é indiferença. Ela que era tão desapegada com si mesma, com todos ao redor e com o mundo, agora não era apenas "apegada". Agora ela era feliz. E foi assim que ela descobriu que felicidade é o verdadeiro oposto de desapego.

E.C.P.

Um dia qualquer onde eu gostaria de várias coisas...

Gostaria de abrir minha cabeça e organizar meus pensamentos em tópicos.

Gostaria de me compreender mais.

Gostaria de voltar atrás em alguns erros que cometi.

Gostaria de não ter ferido alguns sentimentos.

Gostaria de ter ferido outros que não feri.

Gostaria de fazer de novo algumas coisas que passaram rápido de mais.

Gostaria de voltar em alguns momentos que sinto que não aproveitei o suficiente.

Gostaria de desmentir mentiras.

Gostaria de contar verdades.

Gostaria de ser mais honesto comigo mesmo.

Gostaria de ser mais honesto com os outros.

Gostaria de ter certeza que meu futuro será tão bom quanto foi o meu passado.

Gostaria de me sentir seguro mesmo quando me sinto sozinho.

Gostaria de dizer a todos que amo o quanto são importantes pra mim.

Gostaria de ouvir alguns pensamentos alheios.

Gostaria de não ter alguns pensamentos.

Gostaria de pensar menos.

Gostaria de não precisar tanto dos outros.

Gostaria de sentir-me mais importante.

Gostaria de poder fornecer para alguém toda a segurança que eu quero ter um dia.

Gostaria de poder prever se algumas coisas realmente vão dar certo.

Gostaria de me surpreender com alguém.

Gostaria de ter um "faz de conta" menos intenso.

Gostaria de ter uma criança dentro de mim para sempre.

Gostaria de ser mais eu e menos o que eu acho que as pessoas querem que eu seja.

Gostaria de ser mais estável.

Gostaria de ser mais equilibrado.

Gostaria de ter mais coragem.

Gostaria de expor todos os meus sentimentos até meu coração explodir

Gostaria de sentir mais.

Gostaria de sofrer menos.

Gostaria de olhar por uma fresta o resto da minha vida e ver que ela vai valer à pena.

Por fim, gostaria de, acima de tudo, nunca parar de desejar tanto todas essas coisas que ainda não tenho, pois são elas que me movimentam.


E.C.P

terça-feira, 19 de julho de 2011

Desabafo

“Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.”

A frase de Antoine de Saint-Exupéry me remete a pensar em como somos despreparados para ter um envolvimento emocional saudável. Pense. Duas pessoas se conhecem. Existe a química. Rola um interesse. Elas se envolvem e se entregam. Fazem juras de amor. Dizem que querem passar o resto de suas vidas dividindo tudo que lhes pertence.

Mas daí vem à famosa música de Cássia Eller que diz “sem saber que o pra sempre, sempre acaba”, e tudo desmorona. Sentimos saudade, perdemos peso, choramos noites a fio, desabafamos com amigos. Tudo isso porque um dia nos entregamos completamente a outro ser humano e acreditamos que o teríamos para sempre em nossas vidas. E daí, de repente, sem mais nem menos, nem nosso amigo a pessoa é. Ela que sabe nossos maiores segredos, nossas maiores ambições, nossas maiores angustias, ela na qual fizemos todos os planos possíveis e imagináveis, não é mais nada nosso. É o ‘ex’. Aquele que um dia nos considerou a cara metade. Aquele que um dia foi nossa cara metade. E é ai que eu começo a discorrer sobre a frase inicial do texto, é nessa hora que o ser humano vira uma arma. Que o amor vira um perigo. Que o sentimento vira uma armadilha. Que o laço criado, nos enforca.

Criar laços. A raposa diz ao príncipe que isso é uma coisa esquecida pelos homens. Que encontramos hoje tudo pronto, fabricado e preparado para ser comprado em lojas. Tudo muito superficial, todos colocando suas imagens nas redes sociais, se mostrando exatamente do jeito que eles querem ser vistos, e não como realmente são. A era do “photoshop”. Ao sairmos dessa regra, ao quebrarmos o padrão, ao mostrarmos quem realmente somos, estamos nos deparando com um contrato: a possibilidade de criar laços verdadeiros e, por conseqüência, nos tornar responsáveis por outras pessoas. Será isso o motivo de tanta superficialidade?

Hoje em dia é fácil dizer “adeus”. Hoje em dia é difícil encontrar quem realmente se envolve. Hoje o “eu te amo” é tão falado quanto o “bom dia”. Por que é que a carência do ser humano nessa era digital se tornou tão absurda a ponto de até laços terem tornado-se fabricáveis? E, uma vez que o laço é artificial, a responsabilidade encima dele também é. As atitudes também são. E tudo o que acaba importando é a conquista em si, e não o que move ela.

Aqueles que um dia cativaram alguém tomem cuidado. Não sabemos até que ponto o laço criado para a pessoa na qual você se envolveu é real ou não. A maioria hoje opta pelo egocentrismo. Por se colocar na frente de todo resto, e é por isso que aqueles que criam laços reais são aqueles que mais sofrem. Mas como há esperança ainda nesse mundo, torço por todos que realmente merecem encontrarem alguém que valorize o sentimento verdadeiro, que vejam com o coração e saibam da responsabilidade que temos ao sentir que alguém se entregou. Dessa forma, nunca podemos nos esquecer que “Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos”.

E.C.P.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

A vida tem que continuar

Eu desapareci da minha história real. Estou vivendo outros contos, outras realidades, outras versões de mim mesmo. Nesses mundos se misturam o real, o que eu gostaria de estar vivendo, aquele que eu temo viver e o conto de fadas. O resultado disso é muito confuso. Às vezes me dou à chance de viver o que eu realmente gostaria de estar vivendo, porém eu temo alegria. Eu temo sentir nada além de satisfação, eu temo a história perfeita. Eu temo. Acho que não mereço. Sinto que eu não mereço. Procuro problemas, defeitos, e assim faço minhas auto-sabotagens. Assim como Clarice Lispector um dia sentiu, “Ando de um lado para outro, dentro de mim”. Vivo várias histórias ao mesmo tempo. Vários personagens. Eu preciso me desligar e colocar os pés no chão. Eu preciso parar de vestir as fantasias que existem na minha imaginação. Preciso enfrentar a realidade e suas armadilhas. Eu fiz as armadilhas. Eu sou a armadilha. Ao me desarmar, quando aparecer algo que temo, não vou temer; ao me desarmar, quando aparecer algo que amo, vou amar. Preciso me convencer de que não existe o conto de fadas, mas que existem sim a mágica, o amor, e aquelas pequenas coisas que fazem toda a diferença no nosso dia-a-dia, tornando-o o presente insubstituível. Não existem arquétipos estruturados de acordo com a minha vontade. Não existem robôs. Preciso me soltar ao vento da realidade e sentir a brisa bater forte no meu rosto. Sem essa decisão, a sabotagem vai continuar. Sem essa decisão, nunca vou exceder a expectativa. Os amores não vão deixar de virarem lembrança. As pessoas não vão deixar de se afastarem. E, por fim, o show não vai continuar.

A verdade inventada

"Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é possivel fazer sentido.
Eu não: quero uma verdade inventada."
Clarice Lispector